Tênis e Maconha - Uma Combinação dos Deuses
- 1. Outlaw fresh
- 2. Marcas de tênis entram no universo canábico
- 3. Marcas canábicas viram o jogo
Os tênis conquistaram o mundo. De uma subcultura nichada amada em cidades como Nova York, Londres, Paris e outras, o universo dos tênis virou mainstream. De muitas formas, a trajetória é semelhante à do mundo da maconha – uma subcultura underground que se espalhou até perder o “sub” e dominar a cultura em geral. Mas, para além de fenômenos paralelos, as indústrias de cannabis e tênis se cruzam e se encontram desde que qualquer sneakerhead pode se lembrar.
Como rolou essa conexão de mentes entre sneakerheads e maconheiros, será que são todos do mesmo time, e como as duas culturas se uniram ao longo dos anos? Bora acender, amarrar os cadarços e mergulhar fundo em como a maconha influenciou os tênis e vice-versa.
Outlaw Fresh
No tempo da proibição total da maconha, e até hoje em muitos lugares, o mercado era comandado por hustlers e foras-da-lei. Quem mexia nesse corre ganhava dinheiro vivo que, se não era suficiente pra uma casa ou um carro, com certeza dava pra se manter no estilo. Traficantes de cidades como Nova York e Filadélfia – incluindo quem vendia maconha – são amplamente reconhecidos como criadores de boa parte da cultura sneaker inicial, que depois se espalhou por meio de rappers, skatistas e outros lançadores de tendências.

“Crescendo na quebrada, traficantes eram tão inspiração quanto astronautas, professores,
médicos, advogados, etc. Triste, mas é verdade. Eu era uma dessas crianças. Admirava tanto os manos do bairro quanto o advogado Tio Phil da TV e o Dr. Huxtable,“ escreveu Angel Diaz
na Complex. “O mesmo vale para seus rappers favoritos. A maioria cresceu na quebrada ou nos subúrbios imitando os caras mais ostentação que viam no dia a dia. Os hustlers tinham a grana, as minas, as joias, as roupas, os carros, as gírias. Quando você é jovem e pobre, acaba fascinado pelo glamour. É igual estar no ônibus escolar e escolher com os amigos os carros mais irados dizendo: ‘Esse Lexus vai ser meu um dia.’ E o mesmo vale para os tênis.”
De Adidas Superstars com biqueira de concha e Nike Air Force One brancos até modelos caríssimos de marcas como Gucci e Prada, os tênis são símbolo de status no universo da maconha desde os tempos em que os baseados de prensado eram o topo da cadeia.
Marcas de Tênis Entram no Universo Canábico
Na virada dos anos 90 para os 2000, marcas como Nike e Adidas abraçaram a cultura sneaker lançada por traficantes, b-boys, skatistas e rappers fãs de tênis coloridos e raros. A Nike, com o novo programa de skate Nike SB, foi além: criou narrativas completas para lançar seus Nike Dunk ultra exclusivos. Entre colaborações com marcas de skate, personagens de desenho e cervejas, o time SB sempre teve um carinho especial pelo 4/20. Desde 2010, liderados pelo artista Todd Bratrud, começaram a lançar edições limitadas dos Dunks inspiradas na maconha. Teve modelo high-top verde e roxo de camurça peluda que parecia um bud resinado, um par celebrando Cheech & Chong, ícones do humor stoner, tênis inspirados em strains como Strawberry Cough, White Widow e Pineapple Express, Dunks feitos de cânhamo, modelos inspirados em hacky sacks, entre outros.

Esses tênis nunca foram formalmente anunciados porque, assim como a maconha, os lançamentos limitados não precisam de propaganda formal — sneakerheads e maconheiros captam as referências facilmente. Igual aos hustlers das antigas, tênis exclusivos ainda são símbolo de status na indústria canábica atual.
“A exclusividade e o hype de ter o que é novo e desejado é um impulsionador tanto no mercado da cannabis quanto no de tênis,“ disse Matteo Luciani, cofundador das marcas californianas The Rare e Parlay. “Ver gente esperando drops de tênis e de strains é ver os mesmos perfis de público. Tem consumidor que realmente ama o produto e quer apoiar, hypebeast querendo ostentar e se sentir relevante, e os revendedores buscando lucro — só que com a maconha, o mercado secundário envolve comprar o máximo possível nos dispensários e revender tudo no mercado negro. Muitos revendedores atuam nos dois mercados, tênis e maconha.”
Nos últimos anos, a Adidas entrou na trend dos tênis 4/20 com seus próprios pares de camurça verde peluda e tênis temáticos do South Park com olhos vermelhos. Além disso, a tendência já virou mainstream total, com a Skechers fazendo parceria com Snoop Dogg para lançar um tênis canábico com fumaça estampada subindo pelo calcanhar.
Marcas Canábicas Viram o Jogo
Com o avanço da legalização, a embalagem se tornou um dos principais diferenciais nos produtos tanto na indústria legal como no mercado paralelo. Se antes eram gráficos em potes, migraram para sacos estampados e, depois, sacos personalizados em formatos que vão de cabeça de sapo a chicletes, e claro, tênis. O primeiro modelo com shape de Nike Air Force 1 foi criado pelo lendário maconheiro e rapper nova-iorquino Shiest Bubz. O “sneaker-bag” viralizou, inspirando marcas como a High Mart da Califórnia a lançar uma linha inteira com sacos em formato de Air Max, lançados no mesmo dia em que os tênis icônicos foram lançados nas lojas.
Esses bags de maconha em formato de tênis são o lembrete mais recente de que sneakerheads e maconheiros se atraem. Não seguem só as mesmas tendências de moda e fumaça, mas criam colaborações que continuam fortalecendo uma relação inseparável que começou nas subculturas e cresceu junto até dominar a cultura mainstream.
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