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A História das Autoflores Contada pelo Joint Doctor

Author
Revisado medicamente por Michael Matthews, M.D.
1 maio 2024
Todos amamos as Autoflores, e o Joint Doctor foi o primeiro a disponibilizá-las comercialmente – há 20 anos.
1 maio 2024
23 min read
A História das Autoflores Contada pelo Joint Doctor

Neste episódio, Sasha, também conhecido como Joint Doctor, será nosso convidado no Fast Buds Talks. Claro que vamos desvendar como as primeiras Autos foram criadas e por que ele chamou a strain de Lowryder. E vamos falar sobre como as Autoflores modernas estão incríveis hoje em dia e o que o futuro pode trazer. 

Leia a transcrição completa desta entrevista exclusiva abaixo, ou assista se preferir o formato em vídeo!

 

Versão em vídeo desta entrevista incrível com o Joint Doctor, criador da lendária cannabis Low Ryder Auto.
 

Sebastian Good: São 4:20 em algum lugar e estou muito feliz que vocês estejam conosco hoje neste episódio especial do Fast Buds Talks porque hoje temos uma verdadeira celebridade da cannabis aqui. Sim. Sasha, o próprio Joint Doctor está aqui comigo. Como vai, Sasha? 

 

Sasha: Muito bem, obrigado. E você, Sebastian?

 

Sebastian Good: Estou muito bem. Acabamos de conversar fora do ar por um instante. Estamos passando por uma onda de calor, você e eu. Estou no sul da Espanha. Onde você está agora? 

 

Sasha: Estou em Quebec, logo a leste de Montreal. 

 

Quebec é uma das treze províncias e territórios do Canadá.

Quebec é uma das treze províncias e territórios do Canadá.
 

Sebastian Good: Ok. Espere um minuto porque precisei me ajeitar aqui. Isso é próximo de onde você nasceu, certo? 

 

Sasha: Ah, sim. Moro perto de onde cresci, na verdade. Voltei para cá há alguns anos. Minha esposa e eu voltamos e compramos uma pequena fazenda aqui. É uma região muito agradável. Perto da fronteira com Vermont. 

 

Sebastian Good: Legal. Parece muito, muito bonito. Principalmente agora, primavera/verão, outono... E os invernos? Não sou muito fã de frio intenso. Acho que aí pode ficar bem gelado, não? 

 

 

 

É importante escolher genéticas resistentes como nossa Gorilla Cookies se você precisar lidar com climas desafiadores.
 

 

Sasha: Sim. Bem frio. Pode chegar a -30°C. Acho que é o mais frio que fica. Às vezes, em janeiro ou fevereiro, fica bem gelado. Mas temos muita neve, então há muitas atividades. Especialmente aqui em Quebec, adoramos atividades de inverno, hóquei, esqui, qualquer coisa no gelo nos deixa felizes. Então, gosto bastante do inverno. Aliás, tenho um trabalho de fim de semana em uma estação de esqui, só para me manter em forma e tudo mais.

 

Sebastian Good: Sim, você disse isso durante a Spannabis, acho que me contou que trabalha numa estação de esqui. Eu tive um visto de trabalho e viagem para o Canadá, faz uns 12 anos. Fiz... pode-se dizer que foi um erro ou talvez não, porque comecei em Nova York, 10 dias depois conheci minha esposa, três meses depois casamos. Resultado, nunca cheguei a ir pro Canadá para o trabalho. E o lance do esqui era exatamente meu plano. Queria trabalhar num lift ou algo assim e quando terminasse, podia esquiar de graça o tempo todo. 

 

Joint Doctor e Sebastian Good na Spannabis 2023

Joint Doctor e Sebastian Good na Spannabis 2023.
 

Sasha: Sim. Essa é a ideia. É realmente incrível trabalhar na montanha e estar ao ar livre. Não importa o clima. E o principal é que posso esquiar quando quiser. 

 

Sebastian Good: E sua esposa é dessa região também? Porque tem um lado muito legal nisso, é o que falta para mim ou para minha esposa, porque ela é dos EUA, não conseguimos ver a família com tanta frequência, mas vocês conseguem. Isso é a melhor parte.

 

Sasha: Esse é um dos grandes motivos de termos voltado para cá, pois nos mudamos bastante. Meus pais tinham uma rede familiar bem próxima, amigos. Temos até um festival de verão. Não sei se contei sobre isso.

Chama-se Shazam Fest. Vai acontecer no fim de semana que vem. É organizado pela minha família, meu irmão e eu, com muitos voluntários. É um festival de fim de semana: música, acrobatas e várias atrações na fazenda da família. Então, se alguém estiver pela região, confira o Shazam Fest. 

 

Sebastian Good: Gostaria de poder ir, mas, estou a uns, sei lá, 8.000 quilômetros de distância. Não vai ser agora. Preciso um dia fazer um tour, conhecer os amigos dessa comunidade canábica na internet. Converso com muitos no Instagram, no chat, e quero muito visitar, ver onde plantam e claro, experimentar a erva deles. 

 

Sasha: Com certeza! Se você passar por aqui, te levo para conhecer a indústria, tanto legal quanto underground, e apresento o pessoal.

 

Sasha em sua sala de cultivo.

Sasha em sua sala de cultivo.
 

Sebastian Good: Aceito, um dia vou ligar e dizer, Sasha, estou indo aí e levo minha câmera para a gente se divertir e compartilhar com a comunidade depois. 

 

Sasha: Claro. 

 

Sebastian Good: Você está trabalhando, claro, com Doctor's Choice. Sabemos do Lowryder, já vamos falar disso. Mas você também trabalha em outros projetos. É bem envolvido na indústria canábica. No que mais está envolvido hoje? 

 

Sasha: Certo. No momento, estou trabalhando num centro de processamento. Foi fundado por dois amigos meus em Montreal, chama-se J2Science. Eles me contrataram para desenvolver alguns produtos, especificamente haxixe. Tenho experiência nisso, faço haxixe há muitos anos, geralmente usando trim ou subprodutos do cultivo de cannabis. 

 

Sebastian Good: E qual o método? Seca, com água, ice? 

 

Sasha: Neste caso, estamos fazendo ice hashish mesmo. Só água pura e usamos trim de alta qualidade. Na verdade, de uma variedade chamada Black Cherry Punch. Um de nossos produtos populares.

Sebastian Good: Parece delicioso.

 

Sasha: É sim, um produto muito bom, e forte também. Já atingimos até 70% de TC nos testes. É bem alto. E é artesanal. Descobrimos que não dá para replicar esse produto em grande escala. Não tem como mesmo. 

 

Sebastian Good: É como na diferença entre cannabis industrial e artesanal, certo? Não é só “amor”, tem experiência envolvida, dedicação, acompanhamento no processo. Daí sai aquele toque especial. 

 

Sasha: Exatamente. É ótimo saber de onde vem sua cannabis. Um dos grandes erros da legalização foi acharem que tudo seria feito em larga escala, massificado. Mas as pessoas não querem industrialização, nem maconha industrial. É a mesma coisa.

 

Sebastian Good: Tudo começa no cultivo. Mesmo com IA acompanhando cada planta, nunca será como seu próprio olhar identificando uma deficiência de potássio, por exemplo. E depois no trimming, ninguém realmente quer buds aparados por máquina. É diferente.

 

Sasha: Perfeito. Mas o mercado está voltando para o pequeno produtor. Muitas operações grandes fecharam. Só que para quem é pequeno, é difícil entrar. Assim está hoje.

 

O Joint Doctor com suas plantas.

O Joint Doctor com suas plantas.

 

Sebastian Good: Pois é. Com tudo é assim. Não só a cannabis. Quando o dinheiro entra, ele manda. Por sorte, os consumidores estão percebendo o que é bom e, no fim, acho que estamos no caminho certo. 

 

Sasha: Sim. Estou tentando há anos conseguir produzir nossas seeds para o mercado canadense.

Passei de cultivador médico que produzia em pequena escala para tentar entrar legalmente na indústria e levar minhas seeds e Doctor's Choice para o Canadá.

Mas infelizmente, ainda não deu. Outra coisa em andamento, não posso falar muito porque depende de licenças, mas espero em breve ter novidades. Somos um incubador de marcas de seeds que querem entrar no Canadá. Não só Doctor's Choice. 

 

Sebastian Good: É tipo uma instalação porque as seeds precisam ser produzidas aí, não é?

 

Sasha: Isso mesmo. Só pode importar produtos de cannabis para pesquisa. Se é para vender aqui, tem que produzir aqui. 

 

Sebastian Good: Bem parecido com a Tailândia, e planos para a Alemanha também. Espero que um dia consigamos resolver isso como cigarro ou álcool, disponíveis em qualquer lugar simplesmente porque têm lobby. Mas cannabis não tem. 

Sasha: Inacreditável. Seria ótimo. E o aspecto social? Na Espanha existe esse conceito social, mais racional que a legalização daqui. Aqui é comercial, não legalizado. Entende? 

 

Legalidade da cannabis no mundo em 2023.

Legalidade da cannabis no mundo em 2023.

 

Sebastian Good: É uma linha muito tênue, eu entendo. E ainda existe mercado cinza, negro, porque os pequenos não conseguem entrar no sistema legal, aí ficam de fora, e as corporações dominam. Gosto do modelo espanhol, só não gosto que não haja limite claro de plantas, tipo 4-5 por pessoa. Não essa zona cinzenta meio, "pode ser legal, pode não ser." Mas você deve entender, pois passou por coisa pior. Quero perguntar algo que todo mundo deve querer saber: Joint Doctor, por quê esse apelido?

 

Sasha: Ótima pergunta. Acho que nunca me perguntaram isso. Tem que voltar aos tempos da faculdade, eu tinha uns 20 anos. Já cultivava algumas plantas e era conhecido pelo amor à erva. Um amigo e eu estavam numa estação de esqui, caía uma nevasca, mesmo assim consegui bolar um baseado antes de chegar no topo. E eu tinha fama de boleiro. Uma vez peguei um baseado mal bolado, consertei, e ele disse, "cara, você é o joint doctor." E pegou. 

 

Sebastian Good: Incrível. 

 

Sasha: Usei depois como nome de DJ, porque toquei discos e reggae em festas por um tempo. Também usava para escrever artigos, não queria usar meu nome verdadeiro. 

 

Sebastian Good: Eu ainda não uso meu nome verdadeiro. Good não é meu sobrenome. No fim, deveria ter ido de Phil Good, já que meu nome real é Philip. 

 

Sebastian Good na AWC-2022.

Sebastian Good na AWC-2022.
 

Sasha: Dr. Phil Good já fizeram antes. 

 

Sebastian Good: Verdade. Vamos falar mais sobre seu passado, que acho super interessante, pois sua família tem uma história parecida com a minha vontade de vida rural. Sua família saiu da cidade para o campo, não? 

 

Sasha: Sim. Meus pais decidiram sair da cidade perto do meu nascimento. Como muitos hippies, buscaram uma vida melhor, mais saudável, cultivar a própria comida, autossustentabilidade. Compraram uma pequena fazenda, criaram cabras. Minha infância foi diferente. A cannabis fazia parte disso, pois os amigos dos meus pais a compartilhavam. Nunca foi tabu para mim e meu irmão, não tinha conotação negativa. Meu pai, antes de eu tomar interesse, já cultivava e até teve problemas com a lei, tendo que ir pra prisão quando eu tinha uns 11 anos. 


Tive que ajudar mais na fazenda desde então. Foi difícil para a família, mas acho que meu pai tirou coisas positivas. Ficou um ano preso, saiu em ótima forma. Passou a correr, participamos juntos de corridas. Eu gostava de esportes. Não fumava, mas ajudava a cuidar das plantas, era responsável pela rega. Comecei assim, dando continuidade ao legado, porque ele já era famoso pela qualidade da erva aqui. 

Lá pelos anos 70, quase ninguém cultivava aqui. Era só maconha importada, cheia de sementes. O senso dele era especial. É meu fã até hoje, me acompanha em conferências, testa minhas plantas no jardim dele.

 

Sasha em uma palestra.

Sasha em uma palestra.

 

Sebastian Good: Ele é um ótimo test grower. Espero ser isso um dia na família também. Aqui em casa, cannabis não é tabu. Meu filho tem 5 anos, ele pergunta sobre tudo, e é importante saber explicar e lidar com isso. Mas o curioso é que sua família já era orgânica antes de "orgânico" ser moda. 

 

Sasha: Totalmente. Estava só começando. Na década de 70 surgiram livros sobre biodinâmica. Meus pais já estudavam isso. Meu pai ajudou a fundar uma associação orgânica local, a Organic Crop Improvement Association, que organizou capítulos de produtores pelo mundo, permitindo as primeiras certificações. Por isso viajava para auditar plantações, como de café no Peru. Hoje, orgânicos se popularizaram, mas ele pegou o início. 

 

Sebastian Good: Acha que foi um dos motivos pra erva dele ser especial? Minha opinião sincera é que plantas cultivadas organicamente têm sabor melhor no final. 

 

Sasha: Sem dúvida. E se você vai consumir, quer saber que está colocando ingredientes saudáveis no corpo e melhorando o solo. É importante manter o solo vivo, saudável, para o ambiente, para os trabalhadores. 

Sebastian Good: Para mim, como pessoa, meu filho só tem cinco anos, põe coisas estranhas na boca, então não tenho produtos químicos em casa. Não me preocupo. É legal vê-lo crescer cercado de insetos, coletar minhocas, mostrar para a mãe e tudo vira uma risada. Isso é--

 

Sasha: Nossa, que legal. Ele vai ter interesse em ciências naturais. 

 

Sebastian Good: Com certeza. Me dá muito orgulho e mostra o quanto foi certo sair da cidade. Desde que nasceu, eu dizia para minha esposa que não conseguiria viver muito tempo em cidade grande. O primeiro ano foi ok em Barcelona, depois ficou difícil. Fui convencido na marra pelo Covid; oito semanas trancado em casa legalmente, o filho também, ela decidiu: quero jardim, quero terra. 

 

Lugar do Sebastian na natureza.

Lugar do Sebastian na natureza.
 

Sasha: Acho que muitos sentem como você. Foi esse impulso que levou meus pais pro campo nos anos 70, buscar uma vida mais sustentável. Só ter acesso à natureza de vez em quando já melhora a vida. Se está preso na cidade fica difícil, mas no fundo todos temos amor à natureza. Alguns só não sabem ainda. 

 

Sebastian Good: Cultivar algo também é diferente.

Você cria uma relação especial com o que cultiva, faz o sabor ser melhor. 

 

Sasha: Sempre, sempre. Isso vale para tudo que você coloca seu tempo e amor, não só para a erva. O cuidado e paciência resultam em algo especial. 

 

Sebastian Good: Total. Não quero forçar muito esse ponto, mas seu pai ser preso e ficar um ano longe, como isso te afetou? Em relação à planta, pois viu na prática as consequências, e às autoridades? Nunca passei por isso, mas penso na polícia mais como adversário que como ajuda, já que cultivo em lugar onde não é 100% legal. Mas você viveu isso desde pequeno. Como te influenciou? 

Sasha: Vivi anos com esse medo, por tudo que aconteceu. Fica aquele receio da polícia, um medo das autoridades. Meu pai dizia: “Agora você faz parte de uma conspiração, precisa ter cuidado com quem fala, com o que faz, precisa ser esperto”. O último que eu queria era ir pra prisão. Então, procurei formas seguras de continuar trabalhando com a planta que amo.

Fui muito cuidadoso, tive poucos problemas legais, mas muitos sustos. Dou-me sorte de hoje não viver com medo. Andei na linha por anos, sem fazer mal a ninguém, mas sabendo que podia perder tudo a qualquer momento. Hoje é ótimo não viver assim, embora às vezes esse receio volte um pouco.

Agora, com a legalização, com autorizações médicas, pude mostrar meu rosto e nome real. É bom poder representar. Se algo acontecer, estou pronto, e sei que não é o fim do mundo, pois não lidamos com drogas pesadas. 

 

Sebastian Good: Sim. Agora você está num lugar melhor aí no Canadá. Como disse, não faria o que faço se morasse na Alemanha. Aqui na Espanha, nunca tenho mais de seis, sete plantas. Mostrar o rosto num país sem 100% de legalidade dá medo. Gostaria de ter 100 plantas, cuidar de um grande jardim, mas hoje é só pra mim. A cannabis dificilmente sai de casa. Isso por precaução. Mas o amor pela planta, porque antes só regava, te acendeu algo nesse tempo ou veio depois? Quando percebeu que era sua paixão?

 

Jardim de casa do Sebastian.

Jardim de casa do Sebastian.
 

Sasha: Minha vida mudou quando sofri um acidente de moto aos 16 anos. A recuperação foi longa. Um tio que era trabalhador rural me apresentou ao fumo. Aquilo me ajudou a lidar com a dor e a sair do meu casulo. E assim passamos a cultivar juntos.

 

Sebastian Good: Interessante. 

 

Sasha: Pegamos ótimas genéticas, seeds da Sensi Seeds na época, como Big Bud. Meu tio era bom cultivador, aprendi muito com ele. Eu adorava ir pra floresta plantar, estilo guerrilha. Ter que carregar composto nas costas era um desafio, mas emocionante. Assim vivi alguns verões, era estudante e nas férias plantava. Virou um estilo de vida que abracei por completo. 

 

Sebastian Good: Também comecei por essa época, mas não fazia ideia do que estava fazendo, e também com plantio de guerrilha, mas na Alemanha as florestas não são tão “intocadas”. Perdi interesse porque as plantas sempre sumiam, alguém pegava. E não dava pra plantar onde eu morava, com meus pais. Nessa época estava ainda “no armário”, embora tenham encontrado meus haxixes, etc. Ou seja, você nunca parou de cultivar, certo?

Sasha:

Isso, nunca parei. Daí veio o Lowryder e as autos. Foi uma planta que podia levar a qualquer lugar, cultivar em qualquer lugar, e o clima não importava: era indoor no inverno ou no jardim no verão, não exigia esforço.

Também morei em Vancouver numa época crucial, logo depois de terminar a escola, fui encontrar minha namorada lá, quando a cidade era ultra tolerante à cannabis. 

 

Sebastian Good: Foi quando Jorge também estava lá, antes de vir para a Europa, não? 

 

Jorge Cervantes com Cristian Medina da Fast Buds na Spannabis 2023.

Jorge Cervantes com Cristian Medina da Fast Buds na Spannabis 2023.

 

Sasha: Ele esteve lá no início. Outro nome era Marc Emery, o “Príncipe da Maconha”. Ele abriu uma loja de seeds, a polícia não o incomodava porque Vancouver tinha outros problemas maiores. A cidade virou um incubador da cannabis. Comecei a trabalhar com ele, na revista Cannabis Culture. Foi quando comecei a escrever artigos.

Depois disso, é uma longa história, mas consegui uma oportunidade de estudar cânhamo na Polônia. 

 

Sebastian Good: Ouvi falar disso, você fez estudos comparativos lá, certo? 

 

Sasha: Sim. Nessa época, os “pais e mães” do Lowryder eram apenas uma das strains que estava testando. Levei todas seeds e pude fazer esse comparativo na Polônia, no segundo ano lá.

Eu estudava cânhamo, mas o interesse era cannabis THC.

Puderam me dar parte da estufa para experiências comparativas. Começamos atrasados no verão. Então, na época, era o “pai” do Lowryder, chamado de Willy's odd, Willy's automatic. Se destacava por florescer muito cedo. Foi antes de realmente entender o que tínhamos. Mas depois…

 

Sasha estudando cânhamo na Polônia, 1996.

Sasha estudando cânhamo na Polônia, 1996.

 

Sebastian Good: Antes de confundir tudo, vamos focar em Lowryder. Senão o pessoal se perde. Quero suas dicas para cultivo de autos, mas primeiro, a história. E faz uns 20 anos que Lowryder chegou ao mercado, certo?

 

Sasha:

Exatamente. Faz 20 anos, em 2003, vendemos nosso primeiro lote de seeds. Era a primeira geração do Lowryder. Mas já vinha sendo desenvolvido há alguns anos.

 

Sebastian Good: O que te fez mudar o interesse do bud para as seeds, para o breeding? 

 

Sasha: Um amigo meu mais velho chamado Antonio, quase um rastaman mexicano, era super sábio e energético, e tinha incrível conhecimento sobre cannabis. Ele colecionava…

 

Sebastian Good: Então além do seu pai, do tio cultivador, ainda teve Antonio como mentor. Você foi mesmo abençoado de referências, né?

 

Estudo comparativo de Sasha na Polônia. Testando os pais do Lowryder, 1996.

Estudo comparativo de Sasha na Polônia. Testando os pais do Lowryder, 1996.
 

Sasha: É verdade. Cresci aqui numa região cheia de hippies que trouxeram seeds de viagens ao Afeganistão, Colômbia etc. Trocávamos seeds, tínhamos muitos amigos cultivando juntos, sempre trocando experiências. Antonio colecionava seeds e me deu uma vez a chamada Mexican ruderalis. 

 

Sebastian Good: Mexican Rudy, a lendária. Para quem ama autoflores já deve ter ouvido falar, pois é ancestral do que você criou, né? 

 

Sasha: Exatamente.

A Mexican ruderalis era única: uma vez visitei o Antonio em pleno verão, e ele tinha plantas prontas, secando, pequenas. Floriram e estavam prontas em julho. Chamava de Mexican Rudy, tinha sabor bom, mas batia leve. Não reclamávamos, era o que tinha. 

 

Sebastian Good: Melhor que nada. 

 

Sasha: Melhor que nada mesmo. Não sabíamos explicar, mas ele me deu algumas seeds e também para meu amigo Christian. Começamos a cultivar. Mudando da fazenda para dormitórios e depois apartamentos, queria plantas mais compactas, rápidas, para ambientes pequenos. 

 

Sebastian Good: Faz sentido. Saindo do campo para apartamentos e cidades, precisava de discrição e plantas pequenas. 

 

Sasha: Fui ficando mais interessado em criar strains compactas. Tentei outras genéticas antes do Lowryder, mas não funcionaram. O Lowryder levou anos até percebermos o valor dele e isolar aquelas características.

 

Sebastian Good: Então você e o Christian cruzaram essas seeds, fizeram híbridos de diferentes strains. É isso? 

 

Fotos do arquivo do Sasha.

Da esquerda para direita: Família de Sasha na fazenda Shazam (1981); Primeira plantação do Sasha; Antonio. Fotos do arquivo de Sasha.
 

Sasha: Isso mesmo. Tínhamos um quarto de hóspedes cuidado por nós dois no apartamento. Cada um com suas plantas. O Christian era super organizado, eu já era mais "artista".

 

Sebastian Good: Tenho um amigo Christian igual, entendo. 

 

Sasha: Cruzamos tudo entre si, vários cruzamentos experimentais.

Cruzamos uma ruderalis com William's Wonder, depois com Northern Lights #2 e mais variedades. 

 

Sebastian Good: E essas seeds foram para sua coleção ou começou a trabalhar nelas direto?

 

Sasha: Cultivava em pequena escala, então era limitado em testes. Tentava desenvolver algo de mercado. 

 

Sebastian Good: Entendi. 

 

Sasha: Para nós, seria algo novo, fácil de cultivar, acessível, sem ideia que abriria uma nova categoria no mundo da cannabis. 

 

As autoflores evoluíram muito além do esperado.

As autoflores evoluíram muito além do que se esperava.

 

Sebastian Good: Quando teve em mãos, já deu nome? Ou levou as seeds para a Polônia sem nome? Como evoluiu a partir dos cruzamentos? 

 

Sasha: Levei as seeds para a Polônia, eram a primeira geração dos cruzamentos. O f1 delas quando cruza um automático com um normal...

 

Sebastian Good: São mais rápidas, mas não automáticas. 

 

Sasha: São rápidas, mas não automáticas. Não florescem sob 24h de luz. Só na segunda ou terceira geração a característica auto voltou. Era cruzamento entre ruderalis, Northern Lights e William's Wonder. Um cruzamento triplo refinado por uma geração, e eu cultivava...

 

Sebastian Good: Você fez isso na Polônia, certo, durante o experimento?

 

Sasha: Exato. O refinamento foi lá. Depois voltei ao Canadá, na região das pradarias, trabalhando para uma empresa de cânhamo, vendendo seeds de cânhamo. De noite, continuava trabalhando nos meus cruzamentos.

 

Plantação recorde de cânhamo para sementes, Saskatchewan aprox. 2000.

Plantação recorde de cânhamo para sementes, Saskatchewan aprox. 2000.
 

 

Sebastian Good: Claro. 

 

Sasha: Cultivava no porão de um amigo chamado Dave, que era fotógrafo e documentava tudo. Lá, com luzes fluorescentes, 24h por dia, vimos algo estranho: após duas semanas, algumas plantas macho surgiram já florescendo. Pequenas mudas já com flores macho. Ficamos animados. Mantivemos essas plantas e deixamos o resto de lado. 

 

Sebastian Good: Cruzou com as fêmeas que também floresceram cedo?

 

Sasha: Isso. Cruzamos com as fêmeas, que desabrocharam uma ou duas semanas depois, já que machos florescem primeiro.

Essas plantas com característica auto foram mantidas, gerando 100% automáticas na geração seguinte. Não entendia de genética, então fui aprendendo que era um traço recessivo.

Não chamávamos de Lowryder ainda. Era Willy's automatic. 

 

Fotos antigas das plantas Lowryder, do arquivo de Sasha, mostrando genética auto.

Fotos antigas do Lowryder. Arquivo de Sasha.
 

Sebastian Good: Ah, por causa do William's Wonder que você gostava. Você tinha a mãe dela.

 

Sasha: Sim! Eu amava o sabor do willies. Isso ainda aparecia nas primeiras gerações do Willy's automatic. Depois de um tempo, mudamos para Lowryder. Tirei o nome de uma revista chamada Lowrider, sobre carros lowrider mexicanos. 

 

Sebastian Good: Óbvio. Legal. 

 

Sasha: Como tinha ancestrais mexicanos, combinava. 

 

Sebastian Good: Mudaram só o "i" pelo "y" no nome. 

 

Sasha: Isso. 

 

Sebastian Good: Quando Lowryder surgiu, como foi o processo de seleção? Imagino que testava direto assim que tinha seeds, certo? 

 

Sasha: Começou em pequena escala. A internet estava engatinhando. Para divulgar o Lowryder, fui ativo em fóruns como overgrow.com e o Hybrid, que eu mesmo administrei. Era lá que todo mundo falava das autos. A ideia se espalhou rápido. 

 

Sasha trabalhando em uma estufa.

Sasha trabalhando em uma estufa.
 

Sebastian Good: Abriu a possibilidade de cultivo a todos. Plantas pequenas, sem depender de fotoperíodo, algo novo, acessível. 

 

Sasha: Isso. E o interesse era de quem nunca cultivou. Facilita a vida. Não precisa ser experto. 

 

Sebastian Good: Como foi no mercado ilegal? Logo começou a produzir lotes maiores, selecionando melhor as sementes?

 

Sasha: Sim. Cometi erros no começo, porque a escala pequena levou a variação entre plantas, muita endogamia. Algumas ficavam muito pequenas, outras estranhas. Assim, passei a lançar novas versões, como a Diesel Ryder, trazendo genética nova, renovando os automáticos. Veio a Chronic Ryder também. 

 

Sebastian Good: Daí criou também a Lowryder 2? 

 

Sasha: Sim. A Lowryder 2 na verdade…

Quando falam em Lowryder, a maioria conhece a 2, que foi gigante em vendas. Era um cruzamento do Lowryder original com Santa Maria, strain brasileira que trouxe sementes incríveis. Tinha sabor fantástico.

Era forte. Fez muito sucesso, muito estável. Essa decolou e se tornou das mais populares da sua época. 

 

Sebastian Good: Eram todas seeds regulares ainda ou já feminizadas? 

 

Sasha: Começamos depois com as feminizadas. No início eram regulares.

 

Sebastian Good: E tudo isso ainda no mercado ilegal, certo? 

 

Sasha: Sem dúvida. 

 

Sebastian Good: Quando conseguiu licença médica, foi possível reduzir o medo, crescer mais abertamente? 

Sasha: Sim. Tive licença de cultivador médico por vários anos, era grower designado e providenciava para alguns pacientes. Não era licença comercial, mas dava proteção para investir em estufa própria, plantar aberto, sem medo da polícia. Criou um clima mais tolerante pro cultivo, mas ser grower médico é uma distração também, pois é sério e vira outro trabalho. Foi uma forma de continuar o que quero: breeding e criação de novas strains, mas demandava tempo. 

 

Sasha aka Joint Doctor

"Mas, para ser honesto, ser grower médico também foi uma grande distração porque levei a sério."

 

Sebastian Good: Eu entendo totalmente. Todo cultivador conhece a “trimming hell”. Quando começa a cultivar para outros é mais responsabilidade. 

 

Sasha: Verdade. Quer maximizar o cultivo, já que tirou licença. Frequentemente os pacientes não podem pagar muito, às vezes é até de graça, você tenta se virar. Mas gostei de poder cultivar aberto, mostrar minhas plantas, fazer “show & tour” com amigos, tipo turismo cannábico.

 

Sebastian Good: Um dia vou aí fazer o tour do Joint Doctor na estufa. Um sonho. No fim todos queremos segurança, mas a legalização é muito burocrática. 

 

Sasha: Exato. Levaram a regulação ao extremo, tratando a cannabis como opioides, armas químicas ou algo do tipo. A segurança é absurda, se gera muito lixo plástico, muita burocracia. Tudo agora é embalado em porções minúsculas para o consumidor. É um desperdício total.

 

Sebastian Good: É desperdício, e nem é bom. Tenho potes de vidro simples aqui, vedados, mantendo a erva fresca por meses. Se for para saco plástico, só chega farelo pro consumidor. É triste.

 

Sasha: Triste mesmo. Perde boa parte da diversão. Mas ainda temos muito caminho pela frente. A luta não acabou. 

 

Sebastian Good: Nunca vai acabar. Mas o fato de podermos conversar abertamente, mesmo em países sem legalização total, é avanço. Outros growers no mundo todo mostram o rosto, cultivam, sabem que não há crime nisso, só estão provendo a si mesmos. Movimentamos a economia. Fertilizantes, equipamentos, luzes. Isso é positivo. 

 

Dagga DNA conhece a Fast Buds na Spannabis 2023.

Dagga DNA conhece a Fast Buds na Spannabis 2023.

 

Sasha: Graças a pessoas como você, a divulgação acontece, informação chega. 

 

Sebastian Good: Educar e destigmatizar. Não posso tornar legal, mas posso combater o estigma. Dia desses tinha álcool na mesa na minha casa, cerveja, vinho, gin tônica. Deixo meu grinder e packs na mesa, depois volto e tiro da vista das crianças, percebendo: estou sendo paranoico? Com álcool ninguém esconde. Mas com cannabis escondo. Engraçado, pois é mais fácil tomar álcool do que fumar um. Você deve saber, doutor, joint doctor. 

 

Sasha: Sim, é curioso. Não sou médico de verdade, na verdade minha mãe que é. Mas aceito o título honorário de doutor cannabis. 

 

Sebastian Good: Vou te trazer esse título quando for te visitar, começar um abaixo-assinado! 

 

Sasha: Fechado. 

 

Sebastian Good: Como foi ver Lowryder, seu “filho”? Sei o orgulho de ganhar a AutoFlower World Cup, mas é por uma empresa, não uma genética minha. Foi sua genética, sua criação. Como foi para você?

 

Sebastian Good venceu a AWC-2023 com a Tropicana Cookies Auto da Fast Buds.

Sebastian Good venceu a AWC-2023 com a Tropicana Cookies Auto da Fast Buds.
 

Sasha: Foi muito empolgante. As pessoas sabiam, não quem eu sou, mas o que eu criei. Principalmente meus pares, outros breeders, passaram a me respeitar e acolher. Cheguei a conhecer lendas do breeding, virei parte desse grupo seleto. Foi uma sensação ótima. Mas ainda quero fazer mais. Tem muito trabalho pela frente. 

 

Sebastian Good: Sempre há mais o que fazer, Sasha, sejamos honestos. O melhor é ganhar o respeito dos mais velhos e ver breeders jovens mostrando as criações a partir do Lowryder. Como é ver esse legado crescendo? 

 

Sasha: É incrível. O Lowryder foi um ponto de virada, um momento eureka. Desde então, tantos talentos levaram o conceito a outro nível. Tenho orgulho disso. E não dá pra controlar, tomou vida própria. Está no mundo. 

 

Sebastian Good: Espero que nunca cheguemos ao ponto do trademark das genéticas, pois isso nunca funcionará. A galera vai sempre resistir. Sobre as autos modernas: hoje plantei uma Devochka sua. Certo? 

 

Sasha: Certo. 

 

Sebastian Good: Gosto de experimentar diferentes strains, e testei nossas strains como Gorilla Cookies, Strawberry Gorilla, Tropicana Cookies. O que acha das strains modernas?

 

Sasha: A forma como as seeds são vendidas hoje é inovadora, dinâmica. É outra geração. Evolui rápido demais. É como a indústria musical, as ideias vêm de influências anteriores.

Nada se desenvolve no vácuo. Sempre há influências cruzadas.

Hoje, tudo vira remix. Move-se mais rápido do que nunca.

 

A cannabis autoflorescente reuniu uma comunidade grande e dinâmica na última década.

A cannabis autoflorescente reuniu uma comunidade grande e dinâmica na última década.

 

Sebastian Good: Temos sorte por ciclos de cultivo rápidos nas autoflores e podemos continuar breeding, o mercado evolui muito rápido. Concorda? 

 

Sasha: Com certeza. A Fast Buds é muito inovadora, sempre lançando novas strains. Já aderiu ao marketing dinâmico.

Tem que ser assim. Senão, fica para trás. 

 

Sebastian Good: E há a busca por sabores diversos. O mercado "dessert strain" na Califórnia é loucura: sabores como morango, cereja, banana purple punch. Ao cultivar o Banana Purple Punch e ver a cor roxa, o sabor de cesto de frutas, fiquei impressionado. Isso é surreal. 

Sasha: É impressionante. Quando a genética corresponde ao nome e o sabor é real, é fantástico.  

 

Sebastian Good: E também a potência. Ainda dizem que autos não são potentes, mas tivemos Strawberry Gorilla testando 28.417% na American Autoflower Cup. Precisa dizer mais?

 

Freegrow8 venceu a American Autoflower Cup com Strawberry Gorilla Auto da Fast Buds.

Freegrow8 venceu a American Autoflower Cup com Strawberry Gorilla Auto da Fast Buds.

Sasha: Fim de discussão, né? Já não é mais sobre potência.

 

Sebastian Good: Pronto. Mudando de assunto. Você já viu o Canamatoes do Canadá no Instagram?

 

Sasha: Ouvi vagamente sobre ele. 

 

Sebastian Good: Ele cultiva só autos, muitas das nossas, usa mega pots, sistema automático de irrigação. Planta em sacos de 60 litros sob 24h de luz, colhe 1 libra seca por planta. Alguém ainda diz que autos são pequenas? Nossas genéticas modernas são incríveis. Aliás, qual auto moderna te surpreendeu? Na Autoflower World Cup, teve algum exemplo?

 

Sasha julgando na Autoflower World Cup 2023 com Vince And Weed.

Sasha julgando na Autoflower World Cup 2023 com Vince And Weed.
 

Sasha: A qualidade geral das strains surpreendeu. Difícil escolher uma só. Mas teve uma auto purple punch que parecia purple mesmo, cor linda. Sou fã das cores roxas. 

 

Sebastian Good: Então reparou na minha Tropicana Cookies que ganhou, era tão escura que parecia preta, cheia de tricomas. 

 

Sasha: Ah, era essa então! Nos testes só trabalhávamos com números, não sabíamos o nome das strains. 

 

Sebastian Good: Deve ter ficado bem chapado, hein? 

 

Sasha: Nossa, fiquei chapado como nunca, mas foi um barato gostoso. No evento testei 20 ou 30 strains em 24h, dei entrevistas… Foi intenso, mas ótimo.

 

Sebastian Good: Por isso hoje, antes desse papo, não fumei nada. Fico bem focado e consigo render mais. Se fumo, começo a viajar! 

 

Sasha: Entendo. Comigo é igual. Tem hora certa. 

 

Sebastian Good: Você, como bisavô das autos. E ainda ganhou também. Teve um grower que inscreveu seu Doctor's Choice 1 e levou o segundo lugar Sativa. 

 

Sasha: Isso mesmo. Melhor Sativa Auto, fiquei surpreso também. 

 

Vitória de Sasha no AWC-23

DC #1 da Doctor's Choice ficou em segundo lugar na categoria "Melhor Sativa".
 

Sebastian Good: E você nem sabia da inscrição. 

 

Sasha: Não sabia. Fiquei sabendo depois, foi uma surpresa ótima. Reconhecimento oficial e um troféu especial. Achei bem organizado o evento. 

 

Sebastian Good: Foi demais. Muitos juízes de diferentes países e backgrounds.

O evento junto com a Spannabis é excelente, pois dá visibilidade internacional a pequenas competições, participantes do mundo todo. Isso porque Barcelona recebe todo mundo e facilita para inscrever.

É acessível para todos. Qualquer um pode inscrever, sem custo, e ter a chance de ganhar. 

 

Sasha: Com certeza.

 

Joint Doctor no AWC-23

Joint Doctor no AWC-23.
 

Sebastian Good: Sasha, onde você vê as autoflores daqui 5, 10, ou 20 anos? Pergunta difícil. 

 

Sasha: Difícil mesmo. Espero mais trabalho com outros canabinoides: CBD, CBG, perfis novos, mais estabilidade de sabores.

 

Sebastian Good: Algumas pessoas ainda têm preconceito ou rejeição com autos. Acha que isso vai diminuir? 

 

Sasha: Já caiu bastante. Pra pessoa comum não tem mais estigma. Os old school growers talvez nunca mudem, mas está tudo bem. Para cultivo comercial há motivo pra manter fotoperiódicos, clones idênticos etc. Mas com estabilidade cada vez melhor nas autos, vai mudar com o tempo. 

 

As autoflores modernas não devem nada às fotoperiódicas.

As autoflores modernas não devem nada às fotoperiódicas.
 

Sebastian Good: Vai chegar o momento que será só gosto pessoal. E muitos cultivadores experientes têm mais problemas com autos do que os iniciantes porque tratam demais a planta.

 

Sasha: Exato. Preconceitos. Tem vários jeitos de cultivar. 

 

Sebastian Good: Qual dica número 1 você daria para quem cultiva autoflores?

 

Sasha: Concordo com o que você falou. Não complique. Conheça sua planta. Evite excesso de fertilizante, não seja você o "peste" da planta. Preste atenção às necessidades reais, cada caso é diferente.

Sebastian Good: Concordo. Não exagere, não supertreine as autos, não overfertilize. Ame a planta que vai refletir no resultado. 

 

Sasha: Exatamente. Gosto de pouco intervenção, pouca poda ou treino nas autos. Uma das vantagens é deixar andar. Dê um bom início e boas condições desde o começo, o ciclo é curto.

 

Sebastian Good: Total.

Aprendi que, usando dry amendment e super soil, misturo tudo antes e depois faço só chás de compostagem. Não faz sentido esperar. Já misturo tudo no início. Se o solo for vivo e saudável, a planta encontra o que precisa. 

Confie na planta, ela buscará os nutrientes. Essa é a beleza das autos. 

 

Prós e contras de solo vivo.

Prós e contras de solo vivo.
 

Sasha: Isso mesmo. Aprenda a ler os sinais da planta, se faltar nitrogênio, observe. Não exagere. 

 

Sebastian Good: Uma grower me perguntou que três strains eu levaria para uma ilha deserta. Ela cultiva buds incríveis e já me ajudou. Pergunta legal. 

 

Sasha: Já pensei nisso várias vezes. Para ser sincero, preferiria um pacote de seeds variadas, sem saber quais são, para ter diversidade genética e ir refinando conforme o ambiente da ilha. 

 

Sebastian Good: Adorei a resposta. Também tenho uma caixa de seeds no congelador, várias genéticas, me tranquiliza saber disso. Mesmo que algumas já estejam velhas, tenho genética para brincar a vida toda. 

 

Sasha: Sei bem como é. Nunca se sabe o dia de amanhã. 

 

Sebastian Good: Espero que algo legal aconteça em breve, que possamos nos encontrar pessoalmente porque adorei esse papo. Você no Canadá, eu na Espanha, trazendo isso ao mundo. Espero te ver de novo em pessoa. Spannabis foi show, conversar, trocar ideias, conhecer apaixonados pela planta. Isso é o melhor dessas feiras. 

 

Sasha: Dá energia, né? Encontrar pessoas que agradecem, que contam suas histórias com nossas seeds. Você volta renovado. Porque o dia a dia é trabalho, rotina, mas esses encontros aumentam a família. 

 

Sasha ao lado de seu stand na Spannabis 2023.

Sasha ao lado de seu stand na Spannabis 2023.
 

Sebastian Good: Quem sabe vou a Praga. Vai para lá? 

 

Sasha: Sim, Cannafest em Praga. Seria incrível. 

 

Sebastian Good: Quero muito participar do Cannafest, faz uns 12 anos que não vou a Praga. Bela cidade, experiência diferente ver uma feira dessas, rever pessoas conhecidas no meio e compartilhar a paixão pela planta. 

 

Sasha no Cannafest 2019.

Sasha no Cannafest 2019.
 

Sasha: Muitas coisas boas na cannabis são resultado de paixão compartilhada, não de lucro. Da próxima vez, poderíamos conversar sobre colaborar, especialmente pro mercado canadense. O público agradeceria suas seeds. Quem sabe?

 

Sebastian Good: Isso é ótimo, e pela primeira vez na Spannabis senti esse clima de colaboração crescente, as pessoas trabalhando juntas entendendo que competição é boa, pois nos impulsiona. No fim, estamos todos pela planta, pela paixão. Isso basta. 

 

Sasha: E logo se percebe quem está por paixão e quem está só pelo dinheiro. Quem fica é família, com respeito mútuo. Isso é uma das grandes vantagens. Continue com seu bom trabalho. 

 

Sebastian Good: Valeu, cara. O mesmo para você. Obrigado por tudo, por participar, compartilhar. E não esqueça: é 4:20 em algum lugar! 

 

Sasha: Obrigado por me receber. Cheers. Sempre é 4:20 em algum lugar. 

 

Sebastian Good: Valeu demais, cara. 



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