Mais Maconha, Menos Comprimidos e Pó: Mudanças no Uso de Drogas Durante a Pandemia
Pesquisadores da Universidade de Nova York entrevistaram 128 adultos de uma população associada ao uso mais frequente de substâncias—festivais de música eletrônica—para estudar os padrões de consumo de drogas durante a pandemia.
O que eles descobriram foi uma queda acentuada na popularidade de substâncias mais pesadas, enquanto a cannabis se destacou, tornando-se mais popular do que nunca. As descobertas foram publicadas no mês passado na revista Substance Use & Misuse.
De Usar LSD a Abandonar
O estudo concentrou-se especificamente no período entre março e maio de 2020, quando foram implementadas as primeiras medidas de distanciamento social. Os participantes foram questionados sobre como as restrições impactaram o consumo de algumas das drogas mais populares em festas.
Não foi surpresa que uma esmagadora maioria dos entrevistados relatou uso menos frequente de todas elas: 78,6% a menos para cocaína, 71,1% para MDMA (ou ecstasy), e 68% para LSD.
A razão óbvia foi o fechamento dos clubes à medida que o novo vírus se espalhava rapidamente por Nova York e outros lugares. Os autores também sugeriram que as restrições de viagem interromperam a cadeia de fornecimento de drogas ilícitas, tornando-as menos acessíveis e aumentando os preços.

Entre Quatro Paredes
A maconha, por outro lado—ainda que geralmente consumida em ambientes sociais—não é exatamente uma droga de festa, e seu uso aumentou nesse mesmo período. Assim, 35% dos entrevistados disseram estar fumando ainda mais maconha conforme a pandemia avançava, e para um terço dos participantes, o consumo permaneceu exatamente igual.
Uma possível explicação é que pessoas acostumadas a intoxicação frequente trocaram outras drogas pela cannabis, que ainda estava facilmente disponível. Os pesquisadores sugeriram também outra hipótese. Embora ainda faltem evidências conclusivas, acredita-se que a cannabis seja eficaz no tratamento de depressão, ansiedade e estresse. Ser forçado a ficar em casa durante o lockdown levou a um aumento desses quadros tanto na população em geral quanto, principalmente, entre frequentadores de festas.
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