Moradores de Amsterdã Querem Proibir Turistas nas Lojas de Cannabis
Para entusiastas da cannabis em todo o mundo, Amsterdã é o destino número um de viagem. E a principal atração da cidade são seus 166 coffee shops. O nome inocente não engana ninguém — coffee shops não são realmente sobre café. Na verdade, eles vendem flores, cigarros prontos, comestíveis e outros produtos de cannabis que você pode levar para seu hotel ou consumir no local.
O problema é que multidões de aventureiros consideram a cidade como um parque de diversões e não a respeitam como um lugar onde pessoas realmente vivem. Agora, a proposta feita pela prefeita no início deste ano pode fazer as ruas de Amsterdã voltarem a ficar tranquilas. A prefeita Femke Halsema propôs mudar as regras sobre o consumo de álcool, banir turistas dos cafés de cannabis por completo e transferir o infame distrito da Luz Vermelha para fora dos limites da cidade.
Proibindo Algo Que Nunca Foi Legal
Amsterdã se tornou a capital mundial da maconha nos anos 1970, quando a nova política de tolerância foi adotada nos Países Baixos. A posse de pequenas quantidades de flores de cannabis—até 5 gramas—foi descriminalizada, e Amsterdã, assim como outras cidades, permitiu a proliferação de cafés que vendiam a substância.

Ao mesmo tempo, o cultivo segue tecnicamente proibido, e a polícia simplesmente fecha os olhos para a origem dos produtos adquiridos pelos coffee shops. Isso mantém os donos dos estabelecimentos sob forte controle e as fiscalizações acontecem de tempos em tempos. Às vezes, por conta de reclamações dos vizinhos, e às vezes pela vontade dos representantes políticos de romper a associação mental entre Amsterdã e cannabis.
Donos de Coffee Shops Alertam Sobre Consequências Indesejadas
Embora a ideia de trocar jovens embriagados por turistas tranquilos e apreciadores de museus possa agradar a quem administra a cidade ou mora ao lado dos coffee shops, os próprios donos dos estabelecimentos são céticos.
A situação pode acabar exatamente como no ano passado, quando os cafés de cannabis foram fechados devido às restrições da COVID-19. Essas medidas resultaram em uma cena incomum para Amsterdã — um vendedor de maconha em cada esquina.
Além disso, os donos dos coffee shops estão preocupados com a queda de faturamento que as novas restrições certamente vão trazer. Uma delas, Eve Mcguire, disse que sem turistas, perderiam 80 por cento do negócio. Os locais compram cannabis, mas não ficam para consumi-la, o que deixaria os cafés meio vazios.
No pior cenário, muitos estabelecimentos teriam que fechar as portas e se mudar.
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