O CBD Pode Causar Tolerância Com o Tempo?

16 November 2020
Música de pânico começa a tocar enquanto você se pergunta se consumiu tanto CBD que se tornou tolerante a ele.
16 November 2020
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O CBD Pode Causar Tolerância Com o Tempo?

Conteúdos:
Lê mais
  • 1. Definindo o que é tolerância
  • 2. Thc e tolerância
  • 3. Cbd e o sistema endocanabinoide
  • 4. O cbd causa tolerância com o tempo?
  • 4. a. O que é tolerância reversa?
  • 5. Como usar o cbd
  • 6. Resumo

A maconha é uma planta composta por muitos componentes diferentes, cada um com seus próprios efeitos em nossos corpos. Os dois mais conhecidos, como muitos de vocês já devem saber, são o THC, tetraidrocanabinol, e o CBD, ou canabidiol. 

Esses dois componentes são normalmente os que as pessoas buscam ao consumir maconha, seja por suas propriedades medicinais ou recreativas. Enquanto o THC é responsável pelos efeitos psicoativos da cannabis, o CBD, por outro lado, é usado principalmente por seus diversos usos medicinais.

De tratar convulsões a aliviar ansiedade, reduzir inflamações e dores, aliviar sintomas de alguns tipos de câncer, entre muitos outros, o CBD é utilizado de forma regular por muitos pacientes que optaram por tratamentos mais naturais para suas condições. 

 

Descubra se o CBD causa tolerância com o tempo.

Descubra se o CBD causa tolerância com o tempo.
 

Então, existe a possibilidade de que consumir CBD diariamente possa desenvolver tolerância ao longo do tempo? A resposta curta é não. Diferente do seu amigo THC, o CBD não mostrou causar tolerância e, na verdade, o oposto pode ocorrer: tolerância reversa, onde, com o tempo, o paciente precisa tomar menos CBD para obter os mesmos efeitos.

1. Definindo O Que é Tolerância

Tolerância, como todos entendemos, significa criar resistência a uma determinada substância ou atividade ao longo do tempo. Você pode se tornar tolerante a várias coisas diferentes, como pimenta, esportes, seus pais, ou até mesmo alguns medicamentos. 

A diferença entre tolerância e vício ou dependência está no fato de que estes dois últimos podem fazer com que o indivíduo se prenda a uma certa substância a um ponto de interferir em sua vida normal, fazendo até com que fiquem desesperados sem ela, mostrando claros sinais de abstinência.

 

Diferente do THC, o CBD não causa tolerância no corpo humano

Diferente do THC, o CBD não causa tolerância no corpo humano.
 

Tolerância, por outro lado, não causa abstinência e é mais um fenômeno físico e inconsciente. Ela pode ocorrer através de diferentes mecanismos:

 

Tipo de Tolerância Reação
Tolerância celular As células tornam-se menos responsivas a uma substância.
Tolerância metabólica Menos da substância chega ao local de interação.
Tolerância comportamental O usuário se acostuma com os efeitos da substância. 

 

Isso significa que, se uma pessoa desenvolveu tolerância a uma certa substância, ela pode precisar aumentar o consumo ou talvez fazer uma pausa de tolerância para tirar o corpo da zona de conforto novamente. 

2. THC e Tolerância

Para entender a tolerância e sua relação com o CBD, é mais fácil explicar primeiro como a tolerância funciona com o THC. Usuários regulares de cannabis atestam que acabam desenvolvendo certa tolerância à medida que fazem uso frequente da cannabis, independentemente da forma de consumo.

Talvez você já tenha percebido que ficou mais chapado quando fumou depois de passar alguns dias sem consumir. Isso, meu amigo, é tolerância. Lembra dos velhos tempos em que algumas tragadas já deixavam você de cabeça pra baixo, e agora talvez nem um baseado inteiro produza os mesmos efeitos?

A tolerância varia muito de pessoa para pessoa, se desenvolve de maneira desigual e está fortemente ligada à psicologia de cada um. Quanto mais uma pessoa fuma, mais a experiência de ficar chapado vai mudando com o tempo

A tolerância ao THC é produzida principalmente nas nossas células. Esse canabinoide age ligando-se aos receptores CB1 do sistema endocanabinoide no cérebro, e quando o uso frequente de cannabis acontece, esse fenômeno é repetido, fazendo com que as células tentem reverter os efeitos para manter a atividade normal dos CB1.

Para alcançar esse objetivo, as células podem adotar dois métodos: 

  • Dessensibilização: os receptores CB1 começam a se ligar aos canabinoides com menos facilidade, diminuindo sua resposta à substância (THC), ainda que continuem um pouco sensíveis a ela;
  • E a internalização: os receptores CB1 são retirados da superfície da célula para seu interior, tornando-se completamente não responsivos à substância. 

No entanto, a tolerância ao CBD não acontece da mesma forma que ao THC, pois esses dois canabinoides possuem efeitos diferentes sobre o sistema endocanabinoide.

Vamos mergulhar na relação entre o CBD e o sistema endocanabinoide. 

3. CBD E O Sistema Endocanabinoide

A principal diferença entre o CBD e sua interação com os receptores CB1, em comparação com outros componentes da maconha, é que, neste caso, o canabinoide age como um antagonista.

Antagonista significa que, por meio de uma atividade chamada modulação alostérica negativa, o CBD diminui a afinidade de ligação dos receptores CB1, fazendo com que eles fiquem menos responsivos a outros canabinoides. Assim, os efeitos do CBD agem de forma oposta ao THC: eles dão uma pausa ao sistema endocanabinoide, ao invés de hiperestimulá-lo.

 

CBD e suas interações com os receptores CB1.

CBD e suas interações com os receptores CB1.
 

De fato, o excesso de atividade no sistema endocanabinoide pode ser considerado uma das principais causas de problemas relacionados a ele, resultando em ansiedade e compulsão alimentar, por exemplo. 

Além disso, o CBD também é conhecido por aumentar os endocanabinoides naturais do corpo, pois compete com eles por proteínas de ligação que degradam ambos. Sendo assim, o CBD pode ser considerado um inibidor da recaptação de endocanabinoides

É desse jeito, combinando a antagonização dos receptores CB1 e o aumento dos endocanabinoides naturais, que as sensações típicas do CBD de relaxamento, maior foco e sensação de fluidez são produzidas. 

Mas a pergunta é, esses efeitos podem causar tolerância com o tempo? 

4. O CBD Causa Tolerância Com o Tempo? 

Pesquisas conduzidas por um grupo de cientistas em 2004 descobriram que o CBD não gera tolerância e que pode produzir até o efeito oposto, o chamado "tolerância reversa". 2

O Que é Tolerância Reversa?

Tolerância reversa é o que acontece quando um usuário que consome determinada substância por um tempo passa a precisar de menos dessa substância para obter os mesmos efeitos. 

No caso do CBD, as células CB1 não desenvolvem a mesma resistência à modulação alostérica negativa como fariam à estimulação intensa direta. Além disso, devido à relação especial do CBD com os receptores CB1, é possível que ele ajude a modular o padrão de formação de tolerância do THC. 

Ou seja, se você sente que está desenvolvendo tolerância ao THC, adicionar o consumo de CBD à sua rotina diária pode ser uma forma de combater essa tolerância que seu corpo criou. 

Apesar de mais pesquisas ainda serem necessárias para afirmar completamente a teoria da tolerância reversa nos efeitos do CBD, as evidências disponíveis sugerem que, quando se trata de tolerância ao CBD, não há motivo para preocupação. 

 

CBD não causa tolerância, é inofensivo e você pode tê-lo direto do seu jardim!

CBD não causa tolerância, é inofensivo e você pode tê-lo direto do seu jardim!
 

Por isso, o CBD é considerado um dos componentes mais promissores na área médica, sendo uma substância com vasta gama de usos e efeitos medicinais, além de apresentar menos efeitos colaterais negativos que a maioria dos medicamentos convencionais.

O CBD é uma ótima alternativa aos produtos farmacêuticos pesados que, na verdade, promovem tolerância. Parece que esse canabinoide não vai cansar de mostrar o quanto é um composto divino.

Além de seus ótimos benefícios medicinais, o CBD também é notório não só pela possível criação da tolerância reversa, mas por não ser viciante também. Na verdade, pessoas que lutam contra dependência química, ou outros tipos de vício, podem usar o CBD como aliada para superar o problema. 

E, por fim, existe maneira melhor de obter sua medicação do que cultivá-la em casa ou no seu jardim? Não há truques secretos, você cuida da sua própria planta e consome as flores colhidas por você mesmo. 

5. Como Usar o CBD

A forma como você usa o CBD não afeta o aspecto de tolerância do composto, então você pode testar diferentes métodos de consumo para encontrar aquele com o qual se sinta mais confortável. 

De modo geral, recomendamos que você ingira CBD em forma oral, como óleos ou cápsulas. Isso porque você evita alguns problemas de saúde que o fumo pode trazer. 

 

Experimente diferentes formas de CBD para descobrir o que funciona melhor!

Experimente diferentes formas de CBD para descobrir o que funciona melhor para suas necessidades!
 

Outra excelente maneira de consumir CBD é preparando alguns comestíveis de cannabis, uma forma divertida de passar o tempo que, além de tudo, é deliciosa.

No entanto, comestíveis tendem a demorar mais para fazer efeito, então se você busca algo mais imediato, talvez tinturas ou vaporização sejam melhores alternativas.

6. Resumo

Não é de se admirar que a popularidade do CBD continue crescendo na área médica. É um composto fiel, promissor em todos os aspectos.

O CBD não apenas funciona como uma alternativa natural para oferecer os mesmos benefícios de muitos medicamentos tradicionais, como também é uma solução melhor, evitando vários efeitos colaterais conhecidos desses tratamentos. 

Consulte seu médico para encontrar formas de incluir o CBD como tratamento e aproveite seus inúmeros benefícios para a saúde.

 

 

AVISO MÉDICO 

Este conteúdo é apenas para fins educativos. As informações fornecidas são derivadas de pesquisas obtidas de fontes externas.

 

REFERÊNCIAS EXTERNAS

  1. "Canabidiol é um modulador alostérico negativo do receptor canabinoide CB1" R.B. Laprairie, A.M. Bagher, M.E.M. Kelly, e E.M. Denovan‐Wright. Outubro de 2015. 
  2. "O canabidiol previne infarto via mecanismo do receptor canabinoide não-CB1" Kazuhide Hayakawa, Kenichi Mishima, Kohji Abe, Nobuyoshi Hasebe, Fumie Takamatsu, Hiromi Yasuda, Tomoaki Ikeda, Keiichiro Inui, Nobuaki Egashira, Katsunori Iwasaki e Michihiro Fujiwara. Outubro de 2004. 


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