Reino Unido: Novo estudo entrevistou usuários sobre o melhor modelo de regulamentação da cannabis
Uma equipe de cientistas do Reino Unido se propôs a criar um modelo de regulamentação para o futuro mercado de cannabis no país. O objetivo deles não era tanto abordar a questão pensando apenas em saúde pública e policiamento, mas sim propor um sistema que fosse aceitável para os próprios consumidores de cannabis. A ideia era que um novo marco regulatório pudesse competir com sucesso com o mercado ilegal. Ou melhor ainda, torná-lo coisa do passado.
Participantes recrutados pela Multidisciplinary Association for Psychedelic Studies
Os pesquisadores optaram por obter resultados a partir de uma amostra naturalmente tendenciosa de pessoas que têm interesse pessoal na reforma da cannabis e são informadas sobre psicodélicos em geral. Com isso em mente, divulgaram o estudo pelas redes sociais e no boletim da Multidisciplinary Association for Psychedelic Studies, ou MAPS. Esses canais também possibilitaram recrutar um número considerável de profissionais de saúde.
Como resultado, a equipe conseguiu entrevistar 397 pessoas de diferentes países, principalmente do Reino Unido e dos EUA. A maioria dessas pessoas já havia fumado cannabis pelo menos uma vez na vida. Destaca-se que as respostas dos participantes indicaram que alguns tinham preocupações quanto aos riscos associados ao uso da substância e não defendiam sua total desregulamentação.
Farmácias e bares de shisha como fornecedores preferidos de cannabis
Um estudo anterior mostrou que uma amostra representativa da população do Reino Unido pensa que a cannabis deveria ser vendida em farmácias, em vez de lojas autorizadas ou do mercado ilegal. Em 2018, o país reclassificou a cannabis para o Agendamento 2, permitindo que pacientes com certas condições médicas tivessem acesso ao medicamento. No entanto, pessoas que desejam experimentar um tratamento com cannabis ainda enfrentam grandes dificuldades para obtê-lo.
O novo estudo descobriu que os participantes gostaram da ideia de a cannabis ser vendida em farmácias. Porém, acharam que—por questões de redução de danos—a substância também deveria ser disponibilizada para pacientes sem prescrição médica. Ao mesmo tempo, não se opuseram à ideia de entrevistar e fazer triagem desses pacientes para uso problemático.
A maioria dos participantes também defendeu que deveria existir um mercado recreativo regulado fora do sistema de farmácias. Eles apoiaram a ideia de bares no estilo shisha ou lounges de narguilé, onde o consumo de cannabis no local seria permitido. Por fim, concordaram que as pessoas deveriam ter o direito de cultivar cannabis em casa e usá-la para fins medicinais ou recreativos, mas não para vendê-la com lucro.
O estudo foi publicado no início deste mês no Drug Science, Policy and Law Journal.
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