Sintomas de Estresse Térmico em Plantas Autoflorescentes
- 1. O que é estresse térmico?
- 2. O que causa o estresse térmico?
- 2. a. Baixa umidade
- 2. b. Altas temperaturas
- 2. c. Alta intensidade de luz
- 3. Conclusão
Suas plantas só conseguem suportar uma certa quantidade de calor e luz. Depois de certo ponto, sua autoflorescente começará a apresentar sintomas de estresse térmico da maconha nos buds ou folhas. Suas folhas podem ficar amarelas ou marrons, parecer queimadas ou descoloridas, e também é comum que as folhas dobrem em formato de taco — todos esses sintomas e outros explicaremos aqui.
Como a maioria dos cultivadores experientes sabe, a cannabis gosta de um pouco de calor. As temperaturas corretas permitem que as plantas de cannabis prosperem. Um ambiente ideal impulsiona o crescimento da planta em muito menos tempo. Entretanto, é realmente um ato de equilíbrio. Ao passar de determinado limite, calor em excesso pode ter efeitos prejudiciais no crescimento e desempenho das plantas. O estresse térmico se enquadra na categoria de estresse abiótico (não-vivo), juntamente com a seca e outros eventos climáticos adversos. Então, como evitar que o estresse térmico afete suas plantas? Existem várias estratégias disponíveis, incluindo posicionamento adequado das luzes, ventiladores e aparelhos de ar condicionado. Descubra tudo o que você precisa saber sobre estresse térmico abaixo.
1. O que é Estresse Térmico?
O estresse térmico pode acontecer em ambientes indoor ou outdoor, ocorre quando sua autoflorescente é exposta a altas temperaturas por um longo período de tempo. Isso pode causar uma variedade grande de problemas, como retardar o crescimento, afetar a produção e, por fim, até matar sua planta.

Por isso você deve conseguir controlar as condições do cultivo ao usar luzes de alta intensidade. Se você não fizer isso, sua planta pode não conseguir transpirar corretamente, o que pode resultar em diversos sintomas de estresse térmico em cannabis.
O estresse térmico causa inúmeros problemas para as plantas de cannabis. Entre os mais óbvios, temperaturas excessivamente altas por um período prolongado aumentam a taxa de evaporação, o que faz com que suas plantas precisem de mais água do que o habitual. Isso significa que cultivadores precisam se esforçar ainda mais apenas para manter as plantas vivas. As plantas dependem da água para muitas funções fisiológicas importantes, incluindo a fotossíntese. O calor extremo e a perda de água também podem fazer as folhas murcharem e secarem. Se ficarem muito danificadas, perderão a capacidade de fazer fotossíntese e sua planta não conseguirá mais produzir tanta energia quanto antes.
2. O Que Causa o Estresse Térmico?
O estresse térmico em ambientes internos é resultado de não ajustar o clima para o crescimento ideal. No cultivo outdoor é mais difícil controlar, mas em ambas as situações, o estresse térmico é causado pelos mesmos fatores: baixa umidade, altas temperaturas e alta intensidade de luz. Vamos analisar os fatores de estresse térmico e conhecer as soluções para cada situação.
Baixa Umidade
A umidade ideal para uma autoflorescente é de 60-70% na fase vegetativa e em torno de 45-55% na fase de floração. Umidade muito baixa deixa as plantas mais propensas ao estresse térmico. Às vezes, você verá sintomas parecidos com estresse térmico mesmo se não estiver tão quente, eles podem ser piores pois a planta está sendo afetada pela baixa umidade.
Sintomas
A baixa umidade não irá estressar sua planta diretamente, pode afetar o crescimento e a produção, mas não haverá sintomas aparentes a menos que esteja combinada com alta intensidade de luz e/ou altas temperaturas.
Soluções
Se você cultiva indoor, existem algumas soluções. Você pode usar um umidificador para solução a longo prazo ou colocar baldes de água dentro ou ao redor da tenda de cultivo, sempre monitorando com o higrômetro para manter a umidade em nível ideal.

No cultivo externo não há muito o que fazer, tente colocar sua planta na sombra por algumas horas do dia e também recomendamos regá-la mais vezes com menos água ao longo do dia, isso deve ajudar a manter as raízes resfriadas.
Altas Temperaturas
A temperatura ideal para cultivar autoflorescentes é em torno de 25 graus Celsius (77f). O estresse térmico é causado principalmente por altas temperaturas. Sua planta sempre mostrará sinais quando não estiver feliz, é essencial manter um clima ideal para suas autoflorescentes, lembrando que plantas na floração são ainda mais suscetíveis ao estresse térmico.
Sintomas
Plantas na fase vegetativa geralmente começam a dobrar as folhas para dentro no formato de taco ou copo e podem começar a danificar as folhas mesmo que a temperatura não esteja tão alta. Combinado com baixa umidade, pode causar muitos problemas. Como já destacado, plantas em floração são ainda mais suscetíveis e, se muitas folhas forem danificadas, responderão ao calor produzindo buds com menos potência e eventualmente com desenvolvimento anormal dos buds.
Como resultado, elas podem se parecer com o que é chamado de foxtail. Nem sempre será assim, às vezes é apenas um crescimento anormal do bud. O que ocorre é que a planta tenta abandonar o bud danificado pelo calor e começar um novo. Nessa etapa, é comum ver muitos pistilos brancos crescendo.
Soluções
Resolver isso envolve principalmente aumentar a circulação de ar no seu espaço de cultivo. Pode ser tão simples quanto colocar um ventilador oscilante soprando sobre as plantas, ou exigir medidas mais drásticas. Cultivadores indoor têm mais controle sobre o ambiente do que cultivadores outdoor, o que pode ser usado para seu benefício e das plantas.
Todo cultivo indoor, independentemente do tamanho, deve ter algum tipo de termômetro e medidor de umidade instalado. Sem um destes (ou mais, dependendo do tamanho do espaço), você estará cultivando às cegas. Troca de ar dentro e fora do grow, e ao redor da copa, é de extrema importância, não só para controlar o calor, mas também para manter bons níveis de oxigenação. O ideal é que a entrada de ar (pode ser apenas uma abertura passiva) esteja na parte inferior e a exaustão na parte superior da sala ou tenda. O ar quente sobe, então manter a entrada mais baixa que a saída garante o fornecimento de ar fresco e frio dentro do ambiente.

Se o dano já aconteceu, utilize fertilizantes de algas marinhas para ajudar na recuperação da planta, pois contêm citocininas que ajudam a reduzir o estresse.
Se você usa iluminação HID, é fundamental ter uma maneira de afastar o ar quente das lâmpadas e das plantas para fora do ambiente. Um refletor do tipo cool tube ligado ao sistema de exaustão é perfeito para isso. Ao passar o exaustor pelo cool tube, o ar aquecido é instantaneamente retirado das plantas e lançado para fora do grow.
Talvez seja preciso posicionar vários ventiladores próximos à copa das plantas, principalmente em cultivos maiores e conforme as plantas entram no estágio de floração. Não é incomum que bolsões de ar mais quente e úmido fiquem presos na copa, causando não só estresse térmico como também problemas graves de mofo ou fungos.
Se você cultiva outdoor, deve tentar resfriar as raízes. Em vez de regar uma vez ao dia, regue diversas vezes com pequenas quantidades de água. Assim, você mantém o substrato úmido e ajuda a resfriar as raízes.
Alta Intensidade de Luz
Queimadura ou estresse por luz só ocorre em ambientes internos, podendo acontecer ao transferir uma planta de uma luz fraca para uma forte, ou se a fonte luminosa estiver muito próxima da autoflorescente. Também pode ocorrer em folhas mais velhas expostas por muito tempo, mas isso é incomum. Geralmente, as lâmpadas de grow vêm com indicações de altura recomendadas para ambos os estágios (vegetativo e floração), e você deve sempre experimentar e testar o que funciona melhor, mas nunca comece posicionando as luzes muito próximas.
Sintomas
Os sintomas mais comuns são amarelecimento, folhas queimadas e buds descoloridos (quando o topo do bud começa a ficar branco). O primeiro sinal de que a planta está recebendo luz demais é quando as folhas começam a apontar para cima (às vezes você nem percebe sintomas até o amarelecimento começar). Frequentemente as folhas começam a amarelar, mas as nervuras permanecem verdes, podendo parecer pálidas. Se a exposição for longa, as folhas começarão a formar taco, as pontas ficarão marrons, secas e eventualmente quebrarão ao toque.

O bud descolorido é mais comum com LEDs, geralmente acontece quando o topo recebe luz demais e fica branco, a parte afetada perde potência e cheiro.
Queimadura por luz não deve ser confundida com deficiência de nitrogênio, recomendamos atenção às pequenas diferenças. Deficiência de nitrogênio começa na base e sobe, folhas deficientes caem sozinhas. Folhas queimadas por luz são difíceis de remover e, geralmente, o amarelecimento ocorre no topo da planta.
Soluções
Se suas plantas estão recebendo luz demais, tente afastar as luzes, remover algumas delas ou usar um dimmer para controlar a intensidade. Para evitar o clareamento, aplique técnicas de low-stress training para evitar o estiramento da planta. Infelizmente, não é possível reverter o dano, a não ser esperar que a planta se recupere ou fazer a colheita antes que ela morra nos piores casos. A prevenção é sempre o melhor caminho.
Também pode-se considerar outras soluções de iluminação. Enquanto HID foi o padrão ouro por décadas, hoje em dia os painéis LED estão em vantagem. LEDs ainda têm valor mais restrito, mas oferecem vantagens importantes em relação aos HID, principalmente quanto ao calor. LEDs produzem quase nenhum calor, podendo assim ser colocados bem próximos (ou mesmo pendurados verticalmente) à copa das plantas.
Sempre mantenha as luzes à distância correta do topo da copa da planta. Ao invés de fazer isso no chute (o que aumenta risco de dano), use ferramentas para garantir a medida certa. Um luxímetro permite medir o número de lúmens em determinada área. Apesar desses aparelhos só medirem a luz visível ao olho humano, são úteis se você não tiver outra opção. O ideal é usar um medidor PAR para checar a quantidade de radiação fotossintética em cada etapa do ciclo, conseguindo assim chegar ao ponto ideal de intensidade luminosa.
3. Conclusão
Ao fazer mudanças no ambiente das suas plantas, o ideal é que sejam realizadas de forma lenta. Para um bom clima para suas autoflorescentes, evite mudanças bruscas de umidade, temperatura ou luz. Considere sempre esses 3 fatores, pois estão interligados quando falamos de clima. O termo-higrômetro é o aparelho que mede temperatura e umidade, sempre use um quando cultivar indoor. Ele custa cerca de 15 reais e pode salvar sua colheita caso enfrente algum dos problemas acima. Você não precisa de equipamentos caros para ter controle do ambiente. Usando um simples ventilador oscilante e deixando a janela aberta, é possível garantir lindas flores sem gastar muito. Lembre-se: tudo depende do que você pode investir e de saber aproveitar ao máximo o que tem!
Se você tiver dicas e truques para ajudar outros cultivadores a lidar com altas temperaturas, fique à vontade para deixar um comentário aqui embaixo!
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