Um Guia Completo para o Cultivo de Cannabis No-Till

09 February 2021
Aprenda como cultivar cannabis com essa magnífica técnica de agricultura!
09 February 2021
13 min read
Um Guia Completo para o Cultivo de Cannabis No-Till

Conteúdos:
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  • 1. O que é o método de cultivo no-till?
  • 2. Vantagens e desvantagens do no-till
  • 3. Cultivo de cannabis no-till... uma arte incompreendida?
  • 4. Guia de cultivo de cannabis no-till semana a semana
  • 4. a. Preparando o solo
  • 4. b. Semana 1 - muda / clones enraizados
  • 4. c. Semana 2 - estágio vegetativo
  • 4. d. Semana 3 - estágio vegetativo
  • 4. e. Semana 4 - vegetativo (uma semana antes da pré-floração)
  • 4. f. Semana 5 - pré-floração (transição do vegetativo para floração)
  • 4. g. Semana 6 - floração
  • 4. h. Semana 7 - floração
  • 4. i. Semana 8 - floração
  • 4. j. Semana 9 - floração
  • 4. k. Semana 10 - floração
  • 5. Perguntas frequentes sobre o cultivo de cannabis no-till
  • 6. Conclusão

No-till é uma técnica agrícola utilizada para cultivar sem perturbar o solo, o que previne a erosão e aumenta a saúde e retenção de nutrientes do solo. Esse método é conhecido por aumentar a variedade e quantidade de vida no solo enquanto exige pouca mão de obra, e apesar de não ser tão popular entre cultivadores de cannabis, é uma ótima forma de cultivar sementes de cannabis de forma orgânica!

1. O que é o Método de Cultivo No-Till?

O cultivo no-till (também conhecido como plantio direto) refere-se a um terreno onde não há aração entre a colheita e a germinação, ou seja, não existe nenhum distúrbio no solo entre uma safra e outra. 

 

Guia de cannabis no-till: o que é isso?

No-till consiste em cultivar qualquer tipo de cultura sem perturbar o solo.
 

Essa técnica é mais comum ao cultivar em solos arenosos ou secos, já que reduz a erosão enquanto aumenta a infiltração de água, a retenção de matéria orgânica e o ciclo de nutrientes, o que resulta em mais vida no solo utilizando cobertura vegetal e palha para controlar ervas-daninhas e pragas ou, se necessário, usar produtos 100% orgânicos, o que resulta em um solo muito mais saudável.

2. Vantagens e Desvantagens do No-Till

Vantagens

  • Menor uso de água e nutrientes devido a maior quantidade de matéria orgânica e microrganismos.
  • Melhora a estrutura do solo, proporcionando melhor oxigenação e retenção de água.
  • Reduz a erosão do solo, permitindo reciclar o solo.
  • Muito mais econômico que outros métodos de cultivo.
  • Muito menos esforço durante um ciclo e entre as safras. Se feito corretamente, praticamente não será necessário adicionar nutrientes sintéticos ou pesticidas, permitindo que as plantas cresçam de forma mais natural possível. Esse crescimento natural promove a produção de terpenos de espectro completo e a melhor expressão genética possível em todos os outros aspectos.

Desvantagens

  • Aumento do risco de transferir doenças para a próxima safra.
  • Demora até colher os benefícios, pois é necessário ativar microrganismos benéficos no solo.
  • Os nutrientes orgânicos premium usados para ativar o solo podem ser caros.

3. Cultivo de Cannabis No-Till... Uma Arte Incompreendida?

O cultivo no-till, também conhecido como plantio direto, pode soar como algo retrógrado. Como cultivadores, geralmente estamos focados em usar novos fertilizantes, composto, e todos os outros componentes que formam um ótimo solo para cada nova safra. Naturalmente, muitas pessoas iniciantes no no-till podem acreditar que esse método não terá chance contra as técnicas convencionais. Como é possível conseguir os mesmos resultados em termos de saúde da planta, potência e rendimento final com cultivo de cannabis no-till?

Bem, pense como a natureza faz. Algumas das regiões de solo mais biodiversas e ricas do mundo são aquelas que menos sofreram intervenção humana. A Floresta Amazônica é o local naturalmente mais biodiverso do planeta, como resultado direto da ausência de contato humano. Cultivadores também podem se preocupar com a possibilidade aumentada de infestações de pragas ao usar métodos no-till. Mas fique tranquilo, pois em qualquer ecossistema ativo, a simbiose entre seres vivos cria uma biosfera que prospera naturalmente bem equilibrada. A ajuda de bactérias, fungos e insetos benéficos é fundamental. Nematóides benéficos caçam e eliminam seus parentes indesejados. Joaninhas, crisopídeos e louva-a-deus controlam pragas maiores, enquanto fungos e bactérias benéficos promovem o crescimento mais saudável e vigoroso possível.

4. Guia de Cultivo de Cannabis No-Till Semana a Semana

Antes de começar, saiba que é preciso vasos grandes; Recomenda-se usar vasos de 120L (ou canteiros elevados), mas você pode usar vasos de 60L, 30L ou 15L. Obviamente, não é preciso 120L para cada planta, podendo cultivar 2 a 3 plantas por recipiente (dependendo do tamanho), não precisa se preocupar, não será necessário um recipiente gigante para cada planta.

 

Guia de cannabis no-till: semana a semana

No-till funciona melhor em recipientes grandes; recomendamos usar vasos de 60L.
 

Depois de encher os vasos, é preciso regar o solo. A quantidade de água varia de acordo com o substrato, mas como base, use 6L de água para cada 60L de solo.

Agora que você escolheu o tamanho do vaso e regou o solo, é hora de preparar o substrato para seu ciclo de cultivo.

Lembre-se que nas próximas etapas deste guia utilizaremos as quantidades para um vaso de 60L. Se usar recipientes maiores (ou menores), será preciso ajustar proporcionalmente as quantidades.

Preparando o Solo

Uma vez que os vasos estejam cheios e regados, adicione por recipiente de 60L:

  • 2 colheres de sopa de cobertura vegetal (espalhe bem);
  • 32-64g de farinha premium de alfafa (NPK ≈ 2.3 - 0.29 - 2.4);
  • 43g de bokashi de grãos diversos por planta;
  • 2,5-7,5 cm de palha de cevada (regar antes e retirar o excesso de água antes de usar).

Depois de preparar o solo, será necessário um tempo para os ingredientes reagirem e ativarem o solo. Deixe repousar por no mínimo 7 dias, podendo chegar a 1-2 meses dependendo do tamanho do recipiente.

 

Tremoço doce amarelo 15% Linhaça Carter 15% Lentilha Indianhead 6% Milheto branco 2%
Trevo branco holandês 15% Trevo carmim 10% Ervilhaca peluda 6% Ervilha forrageira 4010 2%
Trevo vermelho médio 15% Feijão-caupi Iron & Clay 7% Ervilhaca comum 5% Trigo sarraceno Mancan 2%

 

Uma boa forma de saber o momento de iniciar o ciclo de cultivo nesse vaso é esperar até que a cobertura vegetal tenha brotado. Se você não sabe quais usar, recomendamos as opções descritas na tabela acima. 

Depois que a cobertura vegetal sair do solo, você já pode plantar suas sementes de cannabis (ou transplantar suas mudas) nesse recipiente.

Semana 1 - Muda / Clones enraizados

Assim que sua muda sair do solo será bem pequena e as raízes ainda não estarão bem estabelecidas. Por isso, durante a primeira semana, forneça uma boa quantidade de microrganismos e fungos benéficos para criar um ambiente propício para o desenvolvimento saudável das raízes.

 

Guia de cannabis no-till: semana 1

 

Como dito acima, plantas jovens não necessitam de muita comida, então na primeira semana forneça apenas microrganismos benéficos. Portanto, no dia 1, você deve introduzir todos os seguintes (ou o máximo possível) de bactérias e fungos benéficos: 

 

Arthrobacter Bacillus Rhodopseudomonas
Azospirillum Glomus Streptomyces
Azotobacter Pseudomonas Trichoderma

 

Como mostrado no cronograma, um dia depois você pode introduzir algumas enzimas digestivas para auxiliar os microrganismos benéficos a deixar os nutrientes disponíveis para as plantas absorverem.

 

Amilase Galactosidase Invertase/Sucrase Peptidase Fitase
Celulase Hemicelulase Lipase Fosfatase Protease

 

Agora, durante o resto da semana, basta manter o solo úmido para dissolver tudo e permitir que os microrganismos ajam.

Semana 2 - Estágio Vegetativo

A partir da segunda semana, é importante cuidar das suas plantas para que cresçam fortes o suficiente para suportar o peso dos buds, e também evitar mofo e pragas. Assim, nesta semana, você fará duas diferentes aplicações.

 

Guia de cannabis no-till: semana 2

 

Como visto acima, aplique a primeira mistura como pulverização foliar no início da segunda semana do estágio vegetativo e, de 3 a 4 dias depois, aplique a segunda mistura.

Certifique-se de que os ingredientes da segunda aplicação estejam bem misturados antes de aplicar.

Observe que o hidrolisado de proteína de peixe deve ter (idealmente) 14,9% de nitrogênio solúvel em água e 0,1% de nitrogênio insolúvel em água.

Semana 3 - Estágio Vegetativo

Para obter os melhores resultados, introduza microrganismos a cada 15 dias; assim, durante a terceira semana, você vai adicionar os mesmos microrganismos da primeira semana.

 

Guia de cannabis no-till: semana 3

 

Para melhores resultados, o fertilizante orgânico 3-5-2 NPK deve conter o máximo possível dos seguintes ingredientes:

 

Farinha de algas Cálcio Farinha de crustáceo Farinha de soja Magnésio Basalto micronizado
Torta de karanja Fosfato Farinha de peixe Sulfato Cevada maltada Gesso
Farinha de alfafa Farinha de camelina Farinha de osso de peixe Potássio Montmorilonita de cálcio Farinha de ostra

 

Além disso, se for manter plantas mãe ou suas plantas precisarem de mais tempo no estágio vegetativo, alterne entre as semanas 2 e 3 até uma semana antes da pré-floração, e então siga para a próxima etapa da adubação.

Semana 4 - Vegetativo (uma semana antes da pré-floração)

Uma semana antes das plantas entrarem em pré-floração, é preciso fornecer alguns nutrientes extras para que cresçam buds grandes e densos.

 

Guia de cannabis no-till: semana 4

 

Nesta semana, prepare um chá de alfafa de 16,3g de alfafa de alta qualidade por 1L de água, deixando em infusão por 24-48hs com uma pedra de ar para aerar seu chá.

Em seguida, adicione a camada de composto orgânico premium e o inoculante de solo e, logo após preparar o chá, misture as enzimas e incorpore as emendas.

Lembre-se de que você pode usar qualquer produto, mas para o melhor resultado, o inoculante de solo deve conter todas as bactérias benéficas a seguir ou o maior número possível:

 

Arthrobacter Bacillus Enterobacter Micrococcus Rhodospirillum
Azotobacter Brevibacillus Lysinibacillus Pseudomonas Streptomyces

 

Além disso, se planejava podar algumas folhas para permitir mais circulação de ar e luz, ou remover galhos e melhorar o desenvolvimento dos buds, esse é o momento ideal.

 

Guia de cannabis no-till: poda

Se você queria remover folhas extra, agora é a hora!
 

Observe que, para alimentar adequadamente suas plantas, o superfosfato deve ser preferencialmente derivado de rocha fosfática e conter:

 

Fosfato disponível 7% Ferro 1%
Cálcio 21% Manganês 0,05%
Enxofre 1% Sódio 0,3%

 

E o CalSil deve, preferencialmente, ser derivado de wollastonita e conter o seguinte:

 

Potássio solúvel 1% Carbono 11%
Cálcio 16% Dióxido de silício 27%

 

Como já dissemos, não se preocupe se o produto disponível não contiver tudo que está nas tabelas, pois o importante é conter os ingredientes principais para que suas plantas fiquem saudáveis.

Semana 5 - Pré-Floração (transição do vegetativo para floração)

Nesta semana, a maioria das plantas irá esticar bastante, então ajuste a iluminação conforme necessário e, devido à maior demanda de nutrientes para o crescimento dos buds, você estará alimentando-as bastante.

 

Guia de cannabis no-till: semana 5

 

Todos os produtos, exceto os micronutrientes + ácido húmico, já foram utilizados nas semanas anteriores, então você já conhece suas propriedades. Para este novo ingrediente, procure um produto com alto teor de Ferro e baixo teor de Manganês, Boro, Cobalto, Cobre, Molibdênio e Zinco.

Semana 6 - Floração 

Na sexta semana desde a semente, sua planta estará em pleno estágio de floração, portanto, não há muito o que fazer além de manter as melhores condições possíveis e continuar alimentando suas plantas de cannabis.

Fique atento a pragas e mofo, mas provavelmente não haverá problemas.

 

Guia de cannabis no-till: semana 6

 

Todos os produtos mencionados nesta semana, exceto o bloom booster, já foram utilizados nas semanas anteriores, então você já conhece seus requisitos. Para esse novo ingrediente, busque um produto feito com os seguintes componentes:

 

Farinha de soja micronizada não transgênica Ácido fúlvico solúvel em água e gesso
Fosfato de rocha micronizada Epsom hortícola

Semana 7 - Floração 

Na sétima semana seus buds estarão tomando forma e ficando cada vez mais bonitos. Como a planta foi bem alimentada na semana anterior, nesta semana o foco é pulverizações foliares para evitar deficiências de nutrientes leves e manter a planta com aparência saudável.

 

Guia de cannabis no-till: semana 7

Semana 8 - Floração 

Nesta semana você fornecerá bastantes nutrientes para garantir que as plantas desenvolvam buds densos e pesados.

Esta semana é crucial para conseguir buds resinosos e volumosos, portanto, garanta todos os nutrientes e monitore para ter certeza de que sua planta está crescendo saudável.

 

Guia de cannabis no-till: semana 8

 

Na oitava semana, os buds já deverão estar quase prontos, faltando apenas aquele último boost antes de colher. Tente checar todos os dias a presença de pragas; devido ao óleo de neem aplicado nas semanas anteriores, provavelmente não haverá problemas, mas verificar por precaução nunca é demais.

Semana 9 - Floração 

Antes de iniciar o ciclo de cultivo, você deve ter uma noção de quanto tempo o strain escolhido leva até a colheita, assim pode ajustar o cronograma e garantir que conseguirá fazer um flush adequado. Lembre-se de que este artigo é apenas um guia, podendo variar conforme seu ambiente de cultivo.

 

Guia de cannabis no-till: semana 9

 

O ideal é fazer o flush por 3 semanas (quando possível), já que há muitos nutrientes no vaso; se não der, tente fazer o flush por pelo menos 1 semana (na próxima).

Semana 10 - Floração 

Na última semana de floração, você pode continuar regando com água de coco liofilizada se achar necessário, especialmente se os buds ainda puderem engordar um pouco mais.

Nesta última semana, leve em consideração fatores como o estado dos tricomas e estigmas para saber o momento certo de colher de acordo com o efeito desejado — esse processo pode levar alguns dias, portanto, cheque diariamente.

 

Guia de cannabis no-till: semana 10

Na semana 10 sua planta estará pronta (ou quase), então é hora de fazer a colheita!
 

Quando seus buds estiverem 100%, é só colher, secar, curar e aproveitar todo o sabor dos buds orgânicos!

5. Perguntas Frequentes sobre o Cultivo de Cannabis No-Till

É possível e recomendado praticar cultivo de cannabis no-till indoor?

Embora seja mais comum por cultivadores outdoor, o cultivo de cannabis no-till pode ser realizado em ambientes indoor. É possível cultivar uma das cannabis mais saborosas e aromáticas da sua vida, forte como nunca, em solo orgânico rico reaproveitado ciclo após ciclo. Basta um pouco de paciência e cuidado, mas no longo prazo, além de economizar muito em substrato e nutrientes, você ainda ganhará tempo!

Como o No-Till economiza tempo e dinheiro?

Criando uma biosfera viva, saudável e ativa com nosso super solo, tratamos das necessidades de macro e micronutrientes da planta. Podemos adicionar alguns aditivos orgânicos em momentos específicos do ciclo, mas são baratos e até podem ser feitos em casa. Eles não são 100% essenciais, mas ajudam a promover as melhores características e garantir um produto final potente e delicioso, impressionando pelo rendimento.  Em relação ao tempo economizado, é simples: o super solo faz boa parte do trabalho, liberando mais tempo para cuidar das plantas. Esqueça os dias de misturar nutrientes, checar EC ou PPM e ajustar o pH antes de alimentar a cultura. No no-till, o próprio substrato fornece a maioria dos nutrientes (ou todos), bastando preocupar-se com o pH da água. E entre os ciclos, o substrato já está pronto para ser reutilizado quase imediatamente. 

O cultivo de cannabis no-till serve para qualquer um?

Sim e não. Apesar de ser um método relativamente fácil quando tudo está montado, é necessário certo conhecimento prévio e boa compreensão dos ciclos da planta. Para iniciantes, recomendamos usar fibra de coco e nutrientes sintéticos em garrafas nos primeiros ciclos. Mas, se você já tem um canteiro bem saudável, vá em frente! O que tem a perder?

O ideal é começar pequeno. Não precisa exagerar e iniciar logo uma cultura multi-strains em larga escala. Geralmente, comece seu no-till com no máximo 10 plantas do mesmo strain. Assim, é possível entender as diferenças com outros métodos, além de facilitar possíveis manejos caso algo dê errado e salvar a safra.

Qual a importância da cobertura morta (mulch)?

Não dá para subestimar a importância de cobrir todo solo exposto com mulch orgânico. Cubra as áreas com uma grande variedade de materiais, pois esta é uma das melhores formas de promover biodiversidade e atividade microbiana no cultivo. No método no-till, buscamos replicar a natureza ao máximo. As áreas mais férteis do planeta se autoprotegeram com mulch natural. Com as estações, as árvores perdem folhas, galhos e casca rica em nutrientes. Árvores e plantas menores morrem, tudo isso vira mulch natural, agindo como barreira protetora entre o que vive acima e abaixo do solo. Dê ao seu solo a melhor chance, e use mulch à vontade!

Devo adicionar minhocas e húmus à minha área no-till?

Uma das melhores formas de promover um biossistema saudável no seu no-till é enriquecer o super solo com minhocas e húmus. É um dos métodos mais eficientes para ampliar a produção de composto fresco, conhecido como "vermicultura". 

As minhocas decompõem todo material orgânico e através da digestão produzem o composto de melhor qualidade que você vai encontrar. Assim, nunca faltarão nutrientes orgânicos e elimina-se a necessidade de fertilizantes sintéticos. 

Quanto dinheiro o No-Till pode economizar?

Essa resposta depende muito do porte do cultivo e se ele é indoor ou outdoor. Mas, ao adotar o no-till, provavelmente você vai economizar bastante a longo prazo. No geral, são necessários menos nutrientes/aditivos do que métodos tradicionais – ou até nenhum, dependendo do setup e da qualidade do solo. Muitos dos materiais usados podem ser reciclados ciclo após ciclo. Ou seja, menos desperdício e menos gastos com o próximo ciclo. No conjunto, o no-till é excelente para economizar, oferecendo às plantas tudo o que precisam para prosperar. Veja um exemplo.

Um cultivo indoor doméstico típico pode variar de US$300 a US$3000 no investimento inicial, dependendo da escala e dos materiais escolhidos. Isso inclui iluminação, ventilação, vasos e solo. Você ainda vai precisar comprar esses equipamentos, mas, após esse início, o no-till ajuda a reduzir bastante o custo dos ciclos seguintes. Aditivos e nutrientes extras normalmente são necessários no no-till, então essa é uma ótima forma de economizar sempre.

Nutrientes top para cannabis são muitas vezes absurdamente caros, principalmente se comparar ao cultivo comum. Veja o exemplo da CANNA: se quiser iniciar um cultivo hidropônico, só os nutrientes base custam em torno de US$200 o kit completo. Isso pode significar um peso no bolso de quem está começando, motivo pelo qual o no-till pode ser uma grande economia — e nem incluímos o preço dos outros aditivos. Uma garrafa de 1L do CANNA RHIZOTONIC custa cerca de US$70, mesma faixa do aditivo mais popular, BOOST ACCELERATOR. Isso são US$150 e nem falamos do meio de cultivo ainda.

No-till é uma ótima forma de economizar, aproveitando a natureza para ter os melhores resultados. Se busca eficiência e economia no cultivo de cannabis, o no-till pode ser ideal!

Há desvantagens consideráveis no No-Till?

No-till apresenta alguns pontos negativos, principalmente no início: pode ser demorado e trabalhoso. Como dito, o no-till exige equilíbrio de material orgânico no solo, então é preciso ajustar bem a mistura de um ciclo para o outro.

Fazer composto e cuidar do mesmo demanda tempo, paciência e dedicação. O mesmo vale para pesticidas e fungicidas orgânicos — é preciso aplicá-los na dose e momento corretos, sempre monitorando. Isso pode consumir boa parte do tempo do cultivador, mas a recompensa vem para quem tem paciência.

No-till também exige boa compreensão do funcionamento do ambiente natural. O método depende de micróbios e fungos para atuar, então ter base em micologia pode ajudar bastante na sua jornada no cultivo no-till.

Técnicas orgânicas produzem cannabis de maior qualidade?

Depende do que você entende por qualidade. Este é um tema muito debatido no universo da cannabis, com argumentos para ambos os lados. Alguns defendem que métodos orgânicos produzem buds de maior qualidade por serem livres de aditivos químicos desnecessários. Por outro lado, há produtores que argumentam que nutrientes sintéticos e aditivos podem ser tão bons quanto orgânicos, por serem mais concentrados. Por sinal, resultados de laboratório mostram que nutrients sintéticos proporcionam maiores yields e colheitas mais potentes quando comparados aos orgânicos.

Mas, a maioria concorda que o cultivo orgânico proporciona buds mais saborosos e aromáticos, embora yields menores que plantas alimentadas com nutrientes sintéticos. No fim, tudo depende do gosto pessoal e do que você espera do resultado final.

Em um estudo recente feito em um dos maiores dispensários de LA (não revisado por pares, mas vale o debate), mais de 80% das pessoas preferiram opções com maior teor de terpenos do que potencia farmacológica, dentro de certos limites. Foram oferecidos 8 strains, 4 indoor e 4 outdoor, 2 de cada método orgânicos e 2 hidropônicos. As amostras foram fornecidas como cigarros prontos (pre-rolls) para evitar identificação dos métodos. Assim, ninguém poderia dizer se eram indoor ou outdoor, nem o método de cultivo.

83% dos participantes escolheram as opções orgânicas sobre hidropônicas, sendo que mais da metade desse total preferiu a orgânica de cultivo outdoor. Ao testar, as opções orgânicas apresentaram maior concentração de terpenos que as hidropônicas, enquanto os THC ficaram um pouco abaixo.

E isso faz total sentido, não? Hoje há uma infinidade de strains de alta potência. Quase toda semente que você comprar, plantar e cultivar renderá porcentagens acima dos 18% de THC (a não ser que busque conscientemente uma opção menor). Essa potência já atende praticamente todos os consumidores, então a busca pela potência máxima se torna menos relevante (em certos níveis). Os super usuários podem discordar, mas a maioria busca, na verdade, os efeitos medicinais e recreativos e — principalmente — aroma e sabor. Assim, se busca a melhor produção para suas plantas, talvez o cultivo orgânico seja o caminho. E, já que vai ser orgânico, por que não tentar o no-till?

6.  Conclusão

Este guia vai te proporcionar uma colheita incrível, com buds de aroma e sabor deliciosos. Sabemos que alguns ingredientes podem ser difíceis de encontrar conforme sua região, então recomendamos os produtos Build A Soil, cuja qualidade é excelente.

Se você tem experiência com cultivo de cannabis no-till e pode ajudar outros cultivadores com dicas, compartilhe nos comentários abaixo!

 

Referências externas

  1. IMPACTS OF NO TILL FARMING IN AGRICULTURE.  - Mukherjee, Bishal. (2019). 
  2. No-Till Farming Systems in Europe.  - Stroud, Jacqueline. (2020). 
  3. No-Till Farming.  - Kynigos, Nathaniel. (2015). 


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