Anatomia das Plantas de Cannabis: Das Sementes aos Buds

11 November 2020
Tudo sobre a anatomia da planta que você adora cultivar!
11 November 2020
14 min read
Anatomia das Plantas de Cannabis: Das Sementes aos Buds

Conteúdos:
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  • 1. Anatomia de plantas femininas vs masculinas
  • 2. Sementes e mudas
  • 3. Raízes
  • 4. Folhas de leque
  • 5. Folhas de açúcar
  • 6. Estruturas pré-sexuais
  • 7. Ramos e caules
  • 8. Nós
  • 9. Flores (buds)
  • 10. Pistilos e estigmas
  • 11. Brácteas
  • 12. Tricomas
  • 13. O ciclo de vida das plantas de cannabis
  • 13. a. Estágio de germinação
  • 13. b. Estágio de muda
  • 13. c. Estágio vegetativo
  • 13. d. Estágio de floração
  • 14. Diferenças entre plantas automáticas e fotoperiódicas
  • 15. Conclusão

Muitos consumidores já viram uma flor de cannabis (também conhecida como buds) e talvez folhas, mas nunca viram uma planta masculina ou feminina crescer a partir da semente. Ao cultivar cannabis, é essencial que você conheça a anatomia de uma planta de cannabis masculina e feminina para saber o que elas precisam e evitar problemas. É crucial conhecer as partes de uma planta de cannabis, como raízes, nós, cálices e tricomas, para cultivar sementes de cannabis e manter um jardim saudável.

 

Sebastian Good explica a anatomia das plantas de cannabis.

1. Anatomia de plantas femininas vs masculinas

As plantas de cannabis são dióicas, o que significa que elas têm sexos separados, então as plantas de cannabis podem ser masculinas ou femininas. Na cannabis, a planta feminina produz altos níveis de canabinoides e desenvolve flores (buds) enquanto a planta masculina produz baixos níveis e desenvolve sacos de pólen.

 

Cannabis plants anatomy: female vs male

Flores de cannabis femininas vs masculinas.
  

Quando ambos interagem, o pólen masculino fertiliza as flores femininas (os buds), produzindo sementes que são usadas para cruzamentos e cultivo de cannabis. É essencial saber qual planta você precisa cultivar para alcançar os resultados desejados, então neste artigo, vamos explicar as principais diferenças e a anatomia de uma planta de cannabis.

Lembre-se que você também pode encontrar uma planta de cannabis hermafrodita. Uma planta de cannabis hermafrodita vai desenvolver ambos os sexos, ou seja, você verá sacos de pólen e pistilos brancos na mesma planta. Lembre-se que uma planta hermafrodita não é algo necessariamente ruim, mas se você quer cultivar buds e não produzir sementes, deve evitar plantas hermafroditas.

2. Sementes e mudas

Uma semente é a primeira coisa que você precisa para começar a cultivar sua própria planta de cannabis feminina, uma semente de cannabis possui uma casca dura que protege o embrião, e este embrião é o que vai se desenvolver em uma muda após a germinação, e eventualmente em uma planta adulta. Quando exposta à temperatura e umidade corretas, você verá uma muda (planta bebê) começando a se desenvolver, essa muda sai do substrato com um pequeno par de folhas verdes arredondadas chamadas cotilédones.

 

Cannabis plants anatomy: seed

Os primeiros dias do ciclo de vida de uma planta de cannabis.
 

Os cotilédones já contêm clorofila, o que permite que as folhas minúsculas realizem a fotossíntese, mas é apenas no início da fase vegetativa que você verá o primeiro par de folhas serrilhadas se desenvolverem, e é nessa etapa que a planta passa a absorver energia e nutrientes, direcionando-os ao crescimento da folhagem e dos caules.

3. Raízes

Após 3-5 dias expondo a semente às condições de germinação, você verá uma “cauda” branca saindo da semente, essa “cauda” começará a crescer mais longa e grossa assim que a semente for plantada e eventualmente se tornará a raiz pivotante da sua planta, que é a principal raiz de onde brotam as raízes secundárias.

 

Cannabis plants anatomy: roots

Rede de raízes da planta bem estabelecida.
 

Assim que a raiz pivotante cresce até um tamanho considerável, várias raízes laterais começam a surgir, formando uma rede de raízes no solo, sendo essa rede responsável por absorver água e nutrientes vitais para o crescimento da sua planta.

4. Folhas de leque

Após o aparecimento dos cotilédones, eles ficam expostos à luz solar. Isso é importante porque os cotilédones fazem fotossíntese para absorver luz solar e produzir energia para o crescimento da planta. Após alguns dias, as primeiras folhas serrilhadas aparecem e, conforme a planta cresce, folhas maiores surgem, com cada vez mais ápices, que são os “dedos” da folha de leque de cannabis.

 

Cannabis plants anatomy: fan leaves

Diferença nas folhas das espécies de cannabis.
 

Dependendo da genética, a folhagem pode ter cinco, sete, nove ou mais dedos, mas independentemente do número de ápices, as folhas de leque usam sol, água e C02 para produzir os açúcares necessários para o crescimento da planta.

Além disso, as folhas são diferentes conforme a genética, por exemplo, folhas de Indica geralmente são mais largas e com mais dedos, enquanto folhas de Sativa são mais finas e possuem mais dedos. Também há automáticas que começam com folhas semelhantes às de Ruderalis, podendo ser complicado diferenciar, então aqui está uma tabela para ajudar você a identificar mais facilmente.

 

Características das folhas de cannabis
Espécie Características da folha
Planta Sativa Mais fina, com até 13 “dedos”.
Planta Indica Grossa e larga, com até 9 “dedos”.
Planta Ruderalis Curta e compacta, desenvolvendo 3-5 “dedos”.

 

Esses açúcares são a fonte de energia da planta de cannabis e alimentam seu crescimento e todos os processos biológicos necessários. Tenha em mente que, embora as folhas façam parte da planta de cannabis, elas possuem baixos níveis de canabinoides, então sua função é absorver luz solar, armazenar água e também proteger os buds contra queimaduras solares, mas normalmente não são consumidas.

5. Folhas de açúcar

As folhas de açúcar são folhas normais, mas ao contrário das folhas de leque, não ficam muito grandes e geralmente crescem entre os buds das plantas femininas. Esta folhagem pode, às vezes, apresentar tricomas, mas vai depender da produção de tricomas de cada strain específica.

 

Cannabis plants anatomy: sugar leaves

Folhas de açúcar são as folhas resinadas que crescem entre os buds.
  

Essas folhas contêm menos resina do que os buds e geralmente não são consumidas, mas dependendo da genética, podem ser usadas para fazer comestíveis, óleos e extratos.

6. Estruturas pré-sexuais

As estruturas pré-sexuais (que eventualmente serão os órgãos sexuais da planta) aparecem nos entrenós na fase de pré-floração da planta de cannabis. Se sua planta for masculina, você verá pequenas bolinhas surgindo, que são sacos de pólen nas primeiras fases, e vão se desenvolver em buds.

Esses sacos de pólen eventualmente se desenvolvem e se abrem, liberando o pólen necessário para a produção de sementes; agora, se você ver pelos brancos (estigmas) em vez de sacos de pólen, sua planta é definitivamente feminina.

 

Cannabis plants anatomy: pre-sex

Como identificar o sexo da sua planta de cannabis.
 

Se você é cultivador doméstico, deve “sexar” suas plantas (cultivar uma clonagem no ciclo 12/12 para observar os órgãos sexuais) antes de estarem completamente maduras, isso vai prevenir que plantas masculinas polinizem as femininas. Tenha em mente que flores fertilizadas produzem sementes, o que diminui a quantidade de canabinoides e o yield da planta.

Agora, se você é um criador ou quer experimentar cruzamentos, pode montar uma câmara de cruzamento para polinizar suas plantas em um ambiente controlado e evitar a polinização cruzada, pois o pólen é extremamente leve e pode se espalhar pelo seu cabelo, roupas e até pelo vento.

7. Ramos e caules

Como citado acima, as folhas absorvem luz solar, e com o surgimento de novas folhas, sua planta absorve mais luz e o caule e os ramos ficam mais grossos, desenvolvendo mais entrenós (e mais espaçamento entre entrenós) em ambos os lados do caule.

 

Cannabis plants anatomy: branches and stems

Nós, ramos e o caule de uma planta de cannabis.
 

A principal parte da anatomia da planta de cannabis é o caule, que oferece suporte para a folhagem, ramos e flores femininas ou masculinas, ou seja, os órgãos sexuais (basicamente toda a planta). Dentro do caule há um sistema vascular que consiste em Xilema e Floema. O xilema transporta água e nutrientes dissolvidos na água, enquanto o floema é responsável pelo transporte de açúcares, proteínas e outras moléculas orgânicas nas plantas.

Às vezes, as plantas podem desenvolver mutações, que são genéticas e não podem ser corrigidas. Embora algumas mutações causam crescimento estranho, como ramificações e folhas irregulares, ainda assim podem produzir flores (buds) de boa qualidade, apesar de, às vezes, as safras serem afetadas.

8. Nós

Os nós são o ponto em que os ramos saem do caule, e, na fase vegetativa da planta de cannabis, são paralelos um ao outro. Quando sua planta começa a florir, o aparecimento dos nós pode se tornar irregular, isso não é problema, é apenas uma característica de algumas strains de cannabis que pode ajudar a identificar a espécie da planta.

 

Cannabis plants anatomy: nodes

Os nós de uma planta de cannabis.
 

Lembre-se que hoje em dia a maioria das strains são híbridas (combinação de genética Indica e Sativa), então isso não é uma regra absoluta, mas normalmente as Indicas têm nós mais próximos enquanto as Sativas têm nós mais espaçados.

Esses nós são essenciais porque é neles que os buds ou sacos de pólen começarão a se desenvolver e onde surgem os primeiros sinais do sexo da planta.

9. Flores (buds)

Os buds (flores) são a parte mais importante para os cultivadores, mas também para a planta de cannabis: as flores desempenham funções como atrair polinizadores e produzir sementes (quando fertilizadas), perpetuando a espécie. Hoje em dia, você encontra sementes feminizadas, o que significa que as sementes gerarão plantas 100% femininas. Mas, na natureza, a cannabis é dióica, ou seja, as plantas são masculinas ou femininas, como já citado.

 

Cannabis plants anatomy: flowers

Cola principal de uma planta de cannabis em plena floração.
 

A fase de pré-floração é vital para diferenciar se a planta é masculina ou feminina, pois é quando aparecem os primeiros sinais do seu sexo. As flores (ou buds) que se formam no topo do caule são conhecidas como cola, e normalmente, há uma cola principal, mas cultivadores criaram diversas técnicas (como LST e HST) para gerar múltiplas colas principais através de treinamento de planta, ajudando a aumentar o rendimento.

A cola principal é conhecida como bud apical, e é onde a maior parte dos buds se reúne para formar o principal bud; você também verá pequenos agrupamentos de flores entre a folhagem nos entrenós, mas comparando com a cola principal, as colas laterais são menores, por isso os cultivadores utilizam tanto LST quanto HST.

 

Cannabis plants anatomy: lst

Amarrar os ramos é uma técnica de LST.
 

Essas duas metodologias de treinamento acabam mudando a estrutura da planta ao expor mais os sítios de floração à luz e à ventilação, permitindo que os buds cresçam maiores e com melhor qualidade.

Ao falar de flores, há diferença entre flores femininas e masculinas. Plantas masculinas geralmente se desenvolvem de 2 a 3 semanas antes das femininas e, como dito, não formam buds, mas também desenvolvem colas formadas por agrupamentos de sacos de pólen.

10. Pistilos e estigmas

Os pistilos e estigmas são as partes reprodutivas das flores femininas. A maioria dos consumidores conhece os estigmas como pistilos, mas isso é errado: os pistilos são a parte de onde os estigmas (pelos brancos) nascem. Essas estruturas em forma de fio são responsáveis por coletar pólen das flores masculinas e, consequentemente, produzir sementes.

 

Cannabis plants anatomy: pistils and stigmas

Pistilos e estigmas em um lindo bud roxo.
 

Quando a planta de cannabis está totalmente madura, os estigmas podem mudar de cor várias vezes, geralmente começando com tonalidades brancas, depois amarelas, laranja, vermelhas e, por último, marrons. Lembre-se que os estigmas não afetam potência nem sabor, pois não armazenam canabinoides nem possuem tricomas, então não influenciam na qualidade ou efeito dos buds.

11. Brácteas

As brácteas, geralmente chamadas erroneamente de cálices, são o que realmente formam os buds em uma planta de cannabis. São nódulos em formato de pêra que se desenvolvem entre as folhas de açúcar, mas a cor, formato e tamanho variam conforme a strain.

 

Cannabis plants anatomy: bracts

A anatomia das brácteas da cannabis.
 

Quando os estigmas são polinizados, as brácteas se transformam em ovário (incubadora de semente), permitindo o crescimento e amadurecimento das sementes, mas isso impacta o yield e pode reduzir a quantidade de resina nos buds, por isso “sinsemilla” ou sementes feminizadas são preferidas por cultivadores e consumidores.

Uma flor não polinizada normalmente é rica em tricomas, pois sua colheita terá mais tricomas, e eles são responsáveis pela produção e armazenamento de terpenos e canabinoides.

12. Tricomas

Tricomas são os pequenos cristais encontrados por toda a superfície dos buds e da folhagem ao redor e são considerados a parte mais importante para os consumidores de cannabis. Essas glândulas em formato de cogumelo são translúcidas e pegajosas, formando uma camada espessa sobre os buds. Esses tricomas podem ser encontrados em diferentes tipos e tamanhos, sendo eles:

 

  • Tricomas capitado-pediculados 100 µm;
  • Tricomas cistolíticos 50 µm.
  • Tricomas unicelulares não glandulares 20 µm;
  • Tricomas capitado-sésseis 20 µm;
  • Tricomas bulbosos complexos 10 µm e;
  • Tricomas bulbosos simples 10 µm;

 

Todas as “strains recreativas” são ricas em THC. Dependendo da strain, a produção de tricomas pode variar, resultando em mais ou menos tricomas nas plantas, mas toda planta de cannabis vai produzir tricomas.

 

Cannabis plants anatomy: trichomes

Tipos de tricomas encontrados em plantas de cannabis.
 

Para cultivadores domésticos, os tricomas são o método padrão para saber exatamente quando colher, mas na natureza os compostos produzidos pela planta oferecem mecanismos de defesa, como os terpenos, cujo aroma mantém predadores afastados. Além disso, os tricomas pegajosos protegem os buds contra insetos e raios UV, e, embora não pensemos muito nisso em cultivo indoor, todas as partes da planta de cannabis têm papel importante quando crescem na natureza.

13. O Ciclo de Vida das Plantas de Cannabis

Agora que você já sabe tudo sobre a anatomia da cannabis, vamos entender um pouco sobre o ciclo de vida dessas plantas. As plantas de cannabis podem levar de 8 a 32 semanas para crescer e amadurecer, e neste tempo passam por quatro estágios:

É fundamental que você compreenda esses estágios para cultivar plantas saudáveis, pois cada fase exige diferentes espectros de luz, ciclos de luz, nutrientes e condições de cultivo.

Estágio de Germinação

Assim como qualquer outra planta, a cannabis começa a partir de sementes. As sementes de cannabis permanecem dormentes até serem expostas a calor e umidade. Isso significa que, se você deseja germinar sementes de cannabis (ou qualquer outro tipo), será necessário hidratá-las e garantir boas condições.

Após o plantio, as sementes podem levar de 3 a 10 dias para germinar e as sementes contêm alimento suficiente para 2 a 3 semanas, ou seja, não há necessidade de nutrir até a muda sair do solo. Quando a muda surge, você verá duas pequenas folhas arredondadas chamadas cotilédones e isso marca o início do estágio de mudas.

Estágio de Muda

O estágio de muda da cannabis pode durar entre 1 e 3 semanas, às vezes mais, dependendo da strain e das condições de cultivo. Durante essa fase, as plantas se concentram no desenvolvimento das raízes e da folhagem, ou seja, as raízes ainda são pequenas e frágeis, por isso tenha cuidado para não sobrealimentar ou regar demais.

 

Cannabis plants anatomy: the seedling stage

mudas de cannabis.
 

Assim que você entrar na fase de mudas, forneça 18 horas de luz e 6 horas de escuridão, e lembre-se de acompanhá-las de perto, pois são muito suscetíveis a pragas e doenças.

Estágio Vegetativo

Após algumas semanas em vegetativo, suas plantas vão começar a precisar de mais comida, luz e água, pois as raízes e a folhagem passam a crescer exponencialmente. Durante o estágio vegetativo, é importante fornecer mais nitrogênio e menos fósforo e potássio, pois o nitrogênio é necessário para desenvolver folhagem. No cultivo indoor, a regra geral é mudar para 12/12 (que ativa a floração) quando a planta estiver com ⅓ ou ½ do tamanho desejado para a colheita.

Estágio de Floração

Quando você alterna para 12/12 (ou quando chega o outono no cultivo outdoor), suas plantas vão começar a florir. O estágio de floração pode durar de 6 a 10 semanas ou até mais, dependendo da strain. Esse estágio começa com o aparecimento das pré-flores, que vão engordar e se transformar nos buds resinosos que você tanto espera. Obviamente, este é apenas um resumo rápido e há muitos detalhes a considerar além do ciclo de luz, mas compreender o ciclo de vida e a anatomia da cannabis permite antecipar problemas antes que eles aconteçam.

14. Diferenças entre plantas automáticas e fotoperiódicas

É isso aí! Tudo que você precisa saber sobre o ciclo de vida da cannabis. Ou será que não? O que descrevemos acima diz respeito às strains fotoperiódicas, mas há uma novidade: as automáticas! Antes vistas como inferiores em rendimento e potência em relação às fotoperiódicas, hoje as strains automáticas se destacam e podem competir de igual para igual.

Graças ao trabalho e dedicação de alguns breeders selecionados nas últimas décadas, as automáticas estão no patamar das fotoperiódicas (e às vezes até superam) em todos os quesitos importantes, como rendimento, potência dos buds, e produção de terpenos e flavonoides.

E elas trazem algumas vantagens importantes em relação às strains fotoperiódicas, tanto para iniciantes quanto para experientes. Estes benefícios incluem:

  • Tempo de ciclo mais rápido - Algumas automáticas vão da semente até a colheita em cerca de 8 semanas (com a maioria das strains levando menos de 10 a 11 semanas – muito rápido), enquanto strains fotoperiódicas podem levar pelo menos o dobro, especialmente as dominantes Sativa.
  • Mais fáceis de cultivar - As automáticas exigem menos atenção e cuidados. São aquelas sementes que você pode plantar e quase esquecer.
  • Versatilidade - Automáticas são altamente versáteis e podem ser cultivadas em praticamente qualquer ambiente e condição. Não precisam de clima perfeito como plantas fotoperiódicas e frequentemente prosperam mesmo em condições menos ideais. Isso graças à herança Ruderalis, vinda do clima rigoroso do norte da Europa.
  • Discrição - Automáticas geralmente são menores e mais compactas do que as fotoperiódicas, tornando mais fácil escondê-las.
  • Resistência - Em geral, automáticas têm resistência maior a pragas, mofo e outras doenças em comparação às fotoperiódicas.

 

Mais colheitas por ano – Você pode colher automáticas mais de uma vez no ano, pois não dependem das estações para florescer. Ou seja, se estiver cultivando outdoor, normalmente consegue duas safras no tempo de uma só fotoperiódica. No indoor, montar um ciclo de colheita perpétuo (onde você gira plantas em diferentes estágios no mesmo ambiente) é muito mais fácil com automáticas, pois plantas em todos os estágios podem ficar sob o mesmo ciclo de luz. Vamos explicar mais sobre isso adiante.

Mas como automáticas e fotoperiódicas diferem no ciclo de vida?

Bem, a dica está no nome. Enquanto o ciclo das fotoperiódicas depende do fotoperíodo da luz, as automáticas têm um “timer” genético interno que muda do crescimento vegetativo para a floração independentemente da luz. Isso traz muitas vantagens para o cultivo indoor e outdoor.

A melhor rotina de luz para automáticas

Sabemos que, para iniciar a floração nas fotoperiódicas, é preciso trocar de 18 horas acesas / 6 apagadas para 12/12 diariamente. Simples, mas exige áreas separadas para vegetativo e floração no indoor. Não é o caso das automáticas! Como dissemos, uma das principais vantagens é que elas vão florir independentemente da rotina de luz, desde que recebam luz suficiente. Isso significa que você pode manter automáticas sob 24/0, 20/4, 18/6 do início à colheita. Fica ao seu critério.

Porém, após anos de testes, podemos afirmar que para resultados excelentes, sugerimos luz em 20/4 ou 18/6 por dia. Automáticas crescem sob 24/0, mas a ausência de descanso pode gerar algum estresse dependendo da strain. Essa flexibilidade facilita muito o cultivo e agrega outra vantagem enorme...

Como montar um ciclo de colheita perpétuo com automáticas

Qual é o maior desejo de todo cultivador? Várias respostas são válidas, mas a principal é: ter um suprimento constante de buds de alta qualidade. E a forma mais fácil de garantir que seu estoque nunca acabe? Criando um ciclo de colheita perpétuo!

Embora isso seja possível com strain fotoperiódica (usando salas separadas para vegetativo e floração), com automáticas é super simples. Já que as automáticas progridem no ciclo de floração independente da luz, você pode cultivar tudo em um único ambiente. Basta escalonar os plantios, colocando novas automáticas a cada semana ou duas (recomenda-se 3 a 4 semanas de espaçamento). Assim, você terá buds sendo colhidos e novas plantas entrando o tempo todo. Perfeito! Uma boa estratégia é dividir o espaço, com um lado para plantas em vegetativo e outro para floração.

 

Dessa forma, quando uma automática em floração estiver pronta para a colheita, você tira ela e coloca uma nova do lado do vegetativo. Também sugerimos usar um ScrOG nas plantas de floração, mantendo a copa uniforme durante todo o estágio – garantindo uma colheita equilibrada e uniforme. Mas e o yield? Cultivar automáticas em ciclo perpétuo reduz seu yield geral? A resposta é não – desde que cada strain tenha tempo suficiente para atingir todo seu potencial em tamanho e THC/CBD, você pode esperar o mesmo rendimento de um ciclo normal. E as mudas?

Bem, dá para deixá-las junto do restante, mas não recomendamos. A luz principal pode ser intensa demais para mudas, e é melhor acostumá-las gradualmente. Mudas preferem ambiente mais quente e úmido do que plantas já em vegetativo ou floração. Assim, o melhor é começar suas sementes em ambiente aquecido, luz suave e temperaturas entre 22 - 28ºC. Quando já apresentarem sistema radicular forte e mostrarem as primeiras folhas, podem ser levadas ao ambiente principal.

15. Conclusão

As plantas de cannabis são milenares e desenvolveram e aperfeiçoaram sua estrutura durante os anos. Apesar de não enxergarmos desta forma, todas as partes das plantas de cannabis (não só seus órgãos sexuais) são essenciais para que cresçam e perpetuem a espécie. Sinta-se livre para compartilhar dicas e informações importantes para ajudar e educar outros cultivadores. Deixe um comentário logo abaixo!

 

 

Referências externas:

  1. Morpho-Anatomy of Marijuana (Cannabis sativa L.). - Raman, Vijayasankar & Lata, Hemant & Chandra, Suman & Khan, Ikhlas & Elsohly, Mahmoud. (2017).
  2. Understanding Cannabis. - Hunt, Debra & Keefe, Joanne & Whitehead, Tammy & Littlefield, Amber. (2020). 


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